Açoriano Oriental
Antigo ministro da República revisita crise de primeiro governo açoriano de Carlos César

O antigo ministro da República Sampaio da Nóvoa publicou este mês um livro onde revisita a crise política dos Açores de 1998, após a chegada ao poder do PS de Carlos César, cujo governo esteve na iminência de cair.

Antigo ministro da República revisita crise de primeiro governo açoriano de Carlos César

Autor: Lusa/AO Online

Alberto Sampaio da Nóvoa, ministro da República para os Açores entre 1997 e 2003, registou as suas memórias sobre o desempenho do cargo no livro “Açores, uma íntima ligação”.

O responsável chegou à região autónoma depois de, em 1996, o PS/Açores, então liderado por Carlos César, ter vencido as eleições por maioria relativa, após 20 anos de poder do PSD/Açores, liderado por Mota Amaral, que se demitiu a cerca de um ano do fim do seu mandato, resolvendo não se recandidatar.

PS e PSD tinham obtido o mesmo número de mandatos (24) para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores nas eleições legislativas regionais dos Açores de outubro de 1996, mas os socialistas obtiveram mais votos, tendo sido Carlos César nomeado pelo ministro da República à época, Mário Pinto, como presidente do Governo Regional.

Sampaio da Nóvoa recorda na sua obra, com recurso aos órgãos de comunicação social, que depois de ter sido eleito presidente do Governo Regional, Carlos César (que esteve 16 anos no poder) em dezembro de 1997, na sequência da derrota dos socialistas que nas eleições autárquicas, “desafiou perante as câmaras de televisão a oposição a apresentar uma moção de censura, se achasse que o resultado eleitoral daquele dia punha em causa a legitimidade do executivo para governar”.

O então líder do PSD/Açores, Carlos Costa Neves, declarou que à comunicação social que a questão não estava posta de parte “caso este não alterasse a sua postura”, tendo, em fevereiro de 1998, numa deslocação à Madeira, declarado que, em nome da estabilidade, o PS/Açores deveria governar, por tido mais votos, mas salvaguardando que se fosse gerada instabilidade pelos socialistas na região a moção de censura seria uma possibilidade.

Alberto Sampaio da Nóvoa aponta que o PS/Açores mantinha-se no poder com o apoio do CDS-PP/Açores, que era essencial para a formação de uma alternativa com o PSD/Açores ao executivo socialista de Carlos César.

O antigo ministro da República refere que face aos primeiros meses da crise política é possível concluir que “a moção de censura anunciada pelo líder do PSD/Açores, Costa Neves, em dezembro de 1997 e confirmada em fevereiro de 1998, não era para ter efeitos imediatos, mas sim para dali a alguns meses e apenas se o Governo Regional mantivesse a política que tinha vindo a seguir, causando instabilidade na região”.

Alberto Sampaio da Nóvoa recorda que a posição de Costa Neves “não colheu o apoio de todos os militantes do PSD/Açores” e que o partido sabia que “para a moção de censura ter sucesso necessitava do apoio do PP, com os seus três deputados”.

Mas este partido, liderado por José António Monjardino, que “anteriormente tinha apoiado o PS, não chegou a definir a sua posição, embora sem pôr de parte a hipótese de vir a apoiar o PSD, afastando-se assim do PS”.

José António Monjardino viria a demitir-se da liderança do CDS-PP, entrando em cena o seu sucessor, Alvarino Pinheiro, rompendo-se o acordo com o PS e admitindo-se a possibilidade de votar favoravelmente uma moção de censura ao Governo Regional socialista.

De acordo com Alberto Sampaio da Nóvoa, o líder do PSD/Açores, Costa Neves, foi a “figura central” da crise e “travou uma luta quase solitária contra os vários obstáculos que lhe foram surgindo pela frente”, a começar “desde logo pelo próprio partido”.

“O apoio do CDS-PP, essencial para o sucesso da moção de censura, terá chegado tarde demais, e um tanto ou quanto enfraquecido, embora haja explicação para isso: é que não terá sido fácil para o PP sair de uma situação em que dava o seu apoio ao PS para uma outra em que o apoio passava para o PSD”, refere o autor do livro.

O antigo Ministro da República adianta que o CDS-PP mudou de liderança, tendo estado algum tempo com uma liderança interina, e Paulo Gusmão, líder do partido na ilha de São Miguel, não subscrevia a apresentação de uma moção de censura.

O livro de memórias sobre a presença de Alberto Sampaio da Nóvoa na região está dividido em 21 capítulos, onde o seu autor afirma que deve "muito aos Açores" e que terá "dado algumas coisas aos Açores, mas estes" lhe deram "muito mais".


 
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