Alcochete, Sines e Porto Santo são as surpresas do ranking do poder de compra

Alcochete, Sines e Porto Santo são as surpresas do ranking do poder de compra

 

Lusa / AO online   Economia   8 de Ago de 2010, 12:57

O lugar de municípios como Alcochete, Sines ou Porto Santo no ranking concelhio de poder de compra são surpreendentes, superando a expetativa de autarcas e da população.

ALCOCHETE

O presidente da Câmara de Alcochete, Luís Franco (CDU), afirmou que o quinto lugar do concelho na tabela de poder de compra por concelho constitui um orgulho, mas salientou que o estudo tem indicadores “falaciosos”.

Com um valor percentual de 144,81, sendo apenas superado por Lisboa, Oeiras, Porto e Cascais, Alcochete é uma das surpresas do estudo que reflete assim “a atratividade do município e a sua projeção ao nível do país”.

“Contudo, este estudo contém alguns indicadores falaciosos que resultam em conclusões que não são totalmente corretas, como os indicadores da população residente, transferências bancárias e transições comerciais que em bom rigor não refletem a realidade do concelho de Alcochete, nem a realidade dos outros concelhos”, disse.

O aumento “demográfico também resultou num crescimento de poder compra das pessoas que escolherem Alcochete para residir, mas o poder de compra dessas pessoas não é igual ao das pessoas que aqui nasceram e cresceram”, lembrou.

Luís Franco afirmou ainda que a presença do Freepoort em Alcochete contribui também para este resultado, como outros estabelecimentos comerciais contribuem para o resultado de alguns concelhos que estão no topo da tabela.

SINES

O desenvolvimento dos complexos industrial e portuário constitui o fator-chave que faz de Sines o concelho com o maior poder de compra do Alentejo e o 14.º a nível nacional, salientou o presidente do município.

O presidente da Câmara, Manuel Coelho, recordou que Sines “sofreu uma revolução profunda nos anos 70, passando de um concelho de atividade económica primária, baseada, principalmente, na pesca e na agricultura incipiente, para uma sociedade urbana concentrada na cidade e qualificada”.

“Sendo o maior pólo de produção industrial e da economia nacional, Sines tem uma concentração extraordinária de técnicos superiores, como engenheiros, economistas, gestores e outros quadros técnicos que trazem uma massa crítica significativa para o concelho”, explicou o autarca.

Além disso, acrescentou, “foi desenvolvida uma rede de Pequenas e Médias Empresas (PME’s) que tem uma dinamização notável de apoio às grandes atividades económicas”, o que contribui para “um nível de vida bastante significativo" relativamente ao país.

Apesar disso e além do desemprego, cuja taxa “tem diminuído nos últimos tempos”, Sines “tem outros problemas ainda por resolver”, afiançou, explicando que a autarquia reivindica melhores acessibilidades, como a construção de um troço de autoestrada entre a cidade e a A2 e uma nova via ferroviária de transporte de mercadorias, com ligação à Europa, como apoio ao terminal portuário.

PORTO SANTO

O Porto Santo é a cidade insular melhor classificada no mesmo estudo, situando-se à frente de cidades como Aveiro, Funchal e Coimbra, apresentando um índice percentual 139,92 e ocupando o 7º lugar no ranking.

Para o presidente da Câmara de Porto Santo, Roberto da Silva, este resultado está relacionado com alguma paz social na ilha mas também com o facto de existir muito turismo e muitos funcionários públicos que recebem um subsídio de insularidade.

Na ilha, "48 por cento da população, ou seja, 1350 funcionários têm um acréscimo no vencimento de 30 por cento de subsídio de insularidade”, uma situação a que se soma o facto de “15 por cento da população do Porto Santo estar ligada à hotelaria, é uma ilha de serviços”.

“Temos que ter em consideração também o grande investimento público que foi feito, aqui, nos últimos anos e concretamente entre 2000 e 2007 a par de um ‘boom’ na área da construção civil em que foi injetado muito dinheiro na ilha”, acrescenta.

“Os próprios funcionários públicos, alguns deles, depois das suas horas de trabalho ainda faziam alguns trabalhos na construção civil”, recorda.


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