Se a Azores Airlines vai operar com menos aeronaves, já a SATA Air Açores vai contar com um reforço da frota. Para o verão IATA 2026, a 'Interilhas' terá uma frota de oito aviões, com a entrada de um Dash Q400 em regime de leasing.
No entanto, apesar deste upgrade, a operação foi desenhada como se a companhia tivesse apenas sete aeronaves disponíveis. Ou seja, um dos aviões vai ficar como “suplente”, ou como a companhia classifica, “reserva estratégica”.
As razões para esta decisão prendem-se com a necessidade de garantir uma maior robustez operacional, acomodar eventuais atrasos nos trabalhos de manutenção da frota Q400, reduzir a utilização de três aeronaves, que se aproximam dos limites estruturais (nomeadamente o Q400 CS-TRD e os dois Q200) e, fundamentalmente, para responder a reforços pontuais de oferta associados a picos de procura, nomeadamente em períodos festivos.
Algo que a SATA pretende efetuar com antecedência, como explicou Tiago Santos, e que decorre do périplo efetuado pelas ilhas. “Numa reunião com a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, foi-nos assinalado um evento com 600 pessoas, que vêm de diferentes ilhas e do continente. Não é fácil, de um momento para o outro, acomodar 600 pessoas nos nossos voos. Obviamente se este processo for realizado com tempo, podemos canalizar as pessoas de diferentes locais - ou até reforçar algumas rotas. Agora, se for de uma semana para a outra, a probabilidade de correr mal é elevada”.
Por isso, o CEO da SATA apela a que haja diálogo com os diferentes interlocutores de todas as ilhas, para que o planeamento possa ser feito atempadamente.
“Temos a noção do impacto que a SATA tem na economia de cada ilha e queremos trazer soluções e não problemas. Queremos evitar ao máximo eventos cancelados por indisponibilidade de voo, pois temos a perfeita noção que estes eventos só se realizam se a SATA chegar lá”.
Ao todo, a SATA Air Açores irá realizar mais de 560 voos semanais durante o período de verão IATA 2026, incrementando as frequências a partir de Ponta Delgada, Terceira e Faial.
De São Miguel, único aeroporto com voos para todas as ilhas, serão realizadas 190 frequências por semana, com reforço na rota Terceira, Pico, Faial e Flores, todas com mais uma frequência.
Das Lajes, serão 125 frequências para sete ilhas (reforço para Ponta Delgada), ao passo que da Horta serão 69 para quatro ilhas (reforço Ponta Delgada).
Renovação da frota
Questionado sobre se a renovação da frota da 'Interilhas' será para avançar, o vogal Sandro Raposo explica que as principais preocupações são os dois Q200, as únicas aeronaves que podem aterrar na pista da ilha do Corvo, que deverão ser substituídas apenas 2027.
“Nós temos alguma aeronaves que estão a atingir o limite estrutural, uns de 40 mil, outros de 80 mil ciclos, e que vão precisar de evento de manutenção bastante prolongados, algumas delas o limite está a esgotar em 2027. Portanto, importa, de alguma forma, ir gerindo o que é a afetação dessas aeronaves”, assinala.
Sandro Raposo refere que, atualmente, as únicas opções para substituir os Q200 são os Q200. “Existem de facto projetos a ser desenvolvidos, mas que não estão disponíveis atualmente. Estima-se que lá para 2030 na melhor das hipóteses, estas aeronaves estejam disponíveis”. Ou seja, neste momento, a preocupação da transportadora aérea açoriana prende-se com a renovação dos Q200.
“Neste momento, apenas os Q200. Nos Q400, o que estamos a fazer é incrementar o número de aeronaves da frota, de forma a dar resposta às necessidades do mercado. Sem prejuízo de a solução que vier a ser adotada para os Q200 em 2030, poder, aí sim, equacionar umarenovação total, se houver aeronaves que possam substituir as duas aeronaves”, sublinhou o vogal da administração.
