Missão Açores leva SATA a cortar ligações que davam prejuízo

Com menos uma aeronave, sem ACMIs permanentes, sem Bilbao nem Milão, a Azores Airlines concentra operação de Verão nas ligações com Portugal Continental e a Diáspora. Companhia prevê realizar quase 270 voos por semana de e para os Açores



Mais com menos, com o foco na região. É assim que se pode resumir a operação da Azores Airlines que a SATA prevê para o verão IATA 2026: cumprir com a Missão Açores - ligar o arquipélago ao exterior - com menos uma aeronave e sem ACMIs em permanência, caindo as ligações a Malpenza (Itália) e Bilbao (Espanha), a partir de Ponta Delgada, e sem rotas novas, exceção feita à Terceira-Funchal, resultante das Obrigações de Serviço Público (OSP).

Estes foram os pressupostos estratégicos apresentados pelo conselho de administração da SATA Holding para a “Internacional”, numa cerimónia aberta à comunicação social, onde foi anunciado que serão realizados perto de 270 voos semanais.

Uma operação que será feita apenas com recurso à frota da Azores Airlines, ou seja, não haverá aluguer de ACMIs durante todo época alta - o que não quer dizer que não possa haver em casos extraordinários, como avarias de aeronaves. A frota será composta por apenas nove aviões, menos um que em 2025, decorrente do processo de reestruturação.

Neste lote já se incluiu o “Magical”, avião que se encontra desde outubro de 2024 em manutenção (atrasos na entrega de motores, um problema que está a afetar o setor), mas que, segundo fonte da companhia afirmou ao Açoriano Oriental, deverá voltar a voar “dentro em breve”.

Tudo somado, a SATA Internacional terá menos 8% de capacidade disponível, mas para Tiago Santos, CEO do grupo, “isso não significa uma redução de acessibilidade”, havendo, nas suas palavras, “uma concentração da nossa atividade na Região, ligação ao continente português e à diáspora”.

Depois, a rentabilização das rotas, reduzindo frequências ou eliminando ligações que, por um lado, “menos contribuem para a missão Açores”, e, por outro, apresentam “menor rentabilidade”, diz Tiago Santos.

Assim, haverá mais ligações a Portugal Continental, com Lisboa-Ponta Delgada a chegar às 30 frequências semanais (mais uma que em 2025), Porto-Ponta Delgada com 20 (mais três) e Lisboa-Terceira com nove (mais duas). Surge a ligação Madeira-Terceira, duas frequências ao abrigo das novas OSP, enquanto Faro-Ponta Delgada perde uma frequência semanal, ficando apenas com três.

Dos Açores para a Europa, desaparecem Bilbau e Malpenza, tidas como menos rentáveis, passando a haver três frequências semanais para Frankfurt, Paris e Barcelona, sendo que as duas últimas perdem uma frequência cada, face a 2025.

Para Cabo Verde, a ligação entre Ponta Delgada e Praia vai passar de cinco frequências semanais para três.

Já para a América do Norte, a operação passa de 28 frequências semanais para 25, à custa da redução das ligações Ponta Delgada-Boston (nove em 2026, menos uma) e Ponta Delgada-Nova Iorque (quatro, menos duas que em 2025).

Inalteradas continuam as rotas com destino ao Canadá (Toronto, seis a partir de Ponta Delgada e uma a partir da Terceira; e Montreal, quatro a partir de Ponta Delgada).

Tiago Santos ressalva, contudo, que a SATA terá concorrência direta nas ligações ao Canadá, o que obrigará a transportadora açoriana a avaliar, regularmente, a operação, tanto para aumentar, como para reduzir a oferta. “Este é o nosso plano base e temos de estar disponíveis para agir rapidamente consoante decorra a operação”.

Aliás, esta monitorização das rotas será, segundo o CEO, uma constante no plano para 2026, que será feita “dia a dia, mês a mês”. Tiago Santos assinala, também, que no próximo verão IATA a SATA procurará que haja uma “harmonia total” entre a “Internacional” e a “Interilhas”.

“Isto já aconteceu de alguma forma nos anos anteriores, mas neste momento queremos garantir que, não só na perspetiva da SATA, estes planos são completamente harmoniosos, mas também que cuidamos de garantir que há especificidades específicas de cada ilha, e queremos acautelar que estes interesses são devidamente considerados”.

Como, por exemplo, pequenas mudanças de dias ou interligação com outros voos que não da SATA, alterações que resultam do périplo da administração por quatro ilhas (São Miguel, Terceira, Pico e Faial), onde se reuniram com diversas forças vivas, como empresários e câmaras municipais, de forma a que exista este ajustamento que garanta que o “Plano vá ao encontro de tudo o que são as necessidades de cada ilha, e com o esforço necessário, garantir que estamos cá para servir os Açores e os açorianos”.

Para Sandro Raposo, vogal da administração, o plano agora apresentado pretende atingir objetivos específicos, como a melhoria dos resultados operacionais, aumento da fiabilidade e pontualidade conseguida através da robustez da operação e o compromisso de cumprir o assumido em termos de plano de reestruturação com a Comissão Europeia.

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