AICOPA pede continuidade do investimento público

A construção civil nos Açores pede continuidade do investimento público após o fim do PRR, alertando para a quebra no volume de obras lançadas este ano. A AICOPA defende uma transição equilibrada para garantir a atividade e a capacidade das empresas do setor



A atividade da construção civil mantém-se forte nos Açores, mas o futuro do setor começa a suscitar preocupação. A presidente da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (AICOPA), Alexandra Bragança, alerta para a quebra no volume de obras públicas lançadas este ano, apesar da manutenção de um elevado nível de atividade.

“No ano passado, no mês de junho, já tínhamos um volume de obras que chegava aos 160 milhões de euros. Neste momento, estamos à volta dos 60 milhões”, afirmou ao Açoriano Oriental.

A presidente da AICOPA realça que muitas obras financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) foram lançadas em 2025. Com a execução do PRR, Alexandra Bragança lembra que muitas empresas se redimensionaram para poder responder ao aumento da procura.

“Se não tiverem trabalho suficiente para a utilização dos recursos, serão obrigadas a redimensionar-se, o que poderá comprometer a capacidade futura destas empresas”, alertou Alexandra Bragança.

A presidente da AICOPA defende uma transição equilibrada entre o final do PRR, o Construir 2030 e o próximo quadro comunitário de apoio. Embora reconheça que não será possível manter os níveis de investimento do PRR, considera essencial garantir um volume de obras que permita às empresas manter grande parte da sua capacidade.

Caso contrário, poderá haver consequências no emprego. “Se não vierem os investimentos após o PRR, poderá aumentar o desemprego na Região Autónoma dos Açores”, afirmou a dirigente.

O setor enfrenta também o aumento dos custos das matérias-primas, energia, transportes e mão de obra. A falta de trabalhadores qualificados é outro dos desafios salientados pela presidente da AICOPA, levando muitas empresas a assegurar a formação diretamente no local de trabalho.

Apesar dos constrangimentos nos transportes de alguns materiais, não foram registados problemas significativos no abastecimento de cimento. Os atrasos de outros produtos, muitos provenientes do continente e do estrangeiro, têm, contudo, contribuído para o aumento dos custos da construção, alertou a presidente da associação.

AICOPA acredita na conclusão das obras do PRR

Apesar dos atrasos em algumas empreitadas, Alexandra Bragança acredita que as obras financiadas pelo PRR serão concluídas e que os investimentos não estão em risco.

“Não acreditamos que a Comissão Europeia vá colocar obstáculos ou impedimentos a que os pagamentos sejam efetuados”, afirmou, considerando que muitas obras apresentam já um “elevado grau de maturidade”.

Recorde-se que as obras financiadas pelo PRR têm de estar prontas até 31 de agosto deste ano. 

Alexandra Bragança espera agora que o Construir 2030 ajude a compensar a redução do investimento público e pede ao Governo Regional que avance com novas obras.

“Acredito que seria muito importante desbloquear algumas obras importantes que sabemos que estão na calha e lançá-las tão rapidamente quanto possível”, concluiu a presidente da AICOPA. 


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