Adiado julgamento de jornalista que atirou sapatos contra Bush

Adiado julgamento de jornalista que atirou sapatos contra Bush

 

Lusa/AO Online   Internacional   30 de Dez de 2008, 09:33

O julgamento do jornalista iraquiano que lançou os seus dois sapatos contra o Presidente norte-americano, George W. Bush, foi adiado para data indefinida, anunciou hoje o porta-voz do Tribunal Central Criminal do Iraque.
"O Tribunal central criminal do Iraque adiou o julgamento do jornalista Muntazer al-Zaidi até à data em que o Tribunal de Apelação divulgue a sua decisão", adiantou o porta-voz Abdel Sattar Bereqdar.

    O advogado do jornalista iraquiano, Dhiya al-Saadi, afirmou domingo ter interposto um pedido de anulação do julgamento.

    "O nosso recurso é baseado no facto de Zaidi ter simplesmente expressado a sua rejeição à ocupação e à política de repressão contra os iraquianos", afirmou o advogado, para quem "a acção de Zaidi se enquadra na liberdade de expressão".

    Mountazer al-Zaïdi deveria ser julgado quarta-feira, pelo Tribunal competente para julgar crimes relacionados com actos de terrorismo, situado na "zona verde", sector superprotegido de Bagdad, onde se encontra a administração iraquiana.

    De 29 anos, Mountazer al-Zaidi, ficou célebre por ter lançado os seus dois sapatos contra George W. Bush, a 14 de Dezembro, durante uma conferência de imprensa, em Bagdad.

    É acusado de "agressão a um chefe de Estado estrangeiro, em visita oficial" e, de acordo com o artigo 223 do código penal iraquiano, incorre numa pena de cinco a 15 anos de prisão se for mantida a acusação de "agressão".

    No entanto, o tribunal pode acusá-lo apenas de "tentativa de agressão", punida com cinco anos de prisão.

    Zaidi transformou-se num herói em todo o mundo árabe, com centenas de milhares de pessoas a manifestarem-se pela sua libertação.

    O irmão do jornalista denunciou que este foi hospitalizado na zona verde da cidade de Bagdad, com um braço e várias costelas partidas por ter sido agredido por elementos dos serviços de segurança iraquianos.

    "Ele foi torturado, com choques eléctricos", afirmou o irmão, Udai al-Zaïdi, adiantando que agentes de segurança quiseram "obrigar Muntazer a assinar uma confissão de que teria sido pago de diversos grupos".

   


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