Ecologia

Actividade humana causa 50 vezes mais extinções do que seria natural


 

Lusa / AO online   Internacional   12 de Nov de 2007, 11:52

O ministro do Ambiente lembrou a centenas de empresários portugueses e europeus que a actividade do homem causou nos últimos 100 anos 50 vezes mais extinções do que as que seriam provocadas apenas por razões naturais.
"O reconhecimento do valor económico da biodiversidade e a introdução de uma lógica económica nas políticas de conservação da natureza são peças chave na luta contra o declínio da biodiversidade, podendo estabelecer-se um paralelismo com o que se verifica nas políticas de combate às alterações climáticas", declarou Nunes Correio na abertura da conferência "Negócios e Biodiversidade", que está em decorrer em Lisboa.
Em declarações aos jornalistas no final da sessão, o ministro disse que o objectivo desta reunião é convencer as empresas a aderirem a um sistema voluntário em que cumpram determinados critérios que possam contribuir para melhorar a biodiversidade.
"Basta alterar pequenas práticas para haver grandes ganhos de biodiversidade", considerou.
Espera-se que as empresas invistam na manutenção da biodiversidade, mas não há sistemas de incentivos ou compensações fiscais.
Em troca, as empresas podem usar o seu investimento ambiental em marketing e comunicação para que os consumidores e fornecedores se apercebam deste esforço em prol da biodiversidade.
"Sem sacrificarem a sua competitividade, muitas empresas conseguem ter impacto positivo na qualidade de vida das comunidades afectadas pelas suas actividades através de medidas voluntárias. E recebem reconhecimento dos seus clientes e parceiros e mais-valias competitivas pela melhoria do seu desempenho social e ambiental", precisou Nunes Correia.
Um dos objectivos da conferência é tentar encontrar formas de contabilizar o valor económico da preservação do ecossistema, à semelhança do que já acontece com a luta empresarial contra as alterações climáticas, em que há um mercado que vende e troca emissões de carbono a um preço fixo.
O ministro sublinhou que esta iniciativa não tem como objectivo desenvolver legislação ou regulamentação, mas sim promover acordos voluntários e mostrar à comunidade empresarial que pequenas alterações na gestão significam muito em termos de biodiversidade.
Até agora aderiram à iniciativa "Negócios e Biodiversidade" 30 empresas portuguesas, sendo apenas uma delas pública - a REFER, gestora da rede ferroviária portuguesa.
O Ministério do Ambiente, que pretende ter a adesão de mais 30 entidades nacionais, estima que cada uma das empresas portuguesas envolvidas nestas parcerias invista cerca de 500 mil euros por ano.
Num apelo directo a todos os investidores presentes na conferência que decorre na Gulbenkian, o director-geral do Ambiente da Comissão Europeia, Peter Carl, avisou que a perda de biodiversidade continua a agravar-se no mundo.
"Há uma perda acelerada da biodiversidade. Talvez tenha abrandado na Europa, mas não noutras zonas", afirmou, exemplificando que nos Estados Unidos tem desaparecido uma grande quantidade de abelhas, sem que se conheçam as causas exactas.
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