Woody Allen, Carla Bruni e John Galliano são parte da "civilização do espectáculo"

Woody Allen, Carla Bruni e John Galliano são parte da "civilização do espectáculo"

 

Lusa/AOonline   Cultura e Social   7 de Out de 2008, 11:45

John Galliano, Woody Allen, a revista "Hola" e Carla Bruni foram classificados nesta segunda-feira pelo escritor peruano Mario Vargas Llosa como parte do que chama "civilização do espectáculo", segundo a EFE.
Vargas Llosa foi o protagonista de uma conferência organizada pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) por ocasião de sua 64ª assembleia.

    Para o escritor, a civilização do espectáculo fez desaparecer da literatura, artes plásticas, crítica, cinema, política, sexo e jornalismo, a sua essência mais pura.

    Isto acontece, disse, porque há um total desdém por tudo o que lembra que a vida não só é diversão, também é drama, dor, mistério e frustração.

    Segundo o escritor, no campo do jornalismo, a difusão da frivolidade alimenta-se do escândalo.

    "A revista 'Hola' e os seus congéneres são os produtos mais genuínos da civilização do espectáculo porque dão respeitabilidade ao que antes era produto marginal e quase clandestino: escândalo, intriga e inclusive a calúnia", afirmou Llosa.

    "A triste verdade é que nenhum media pode manter um público fiel se ignora a moda imperante", disse o escritor, baseando a sua conclusão no facto do problema não estar no jornalismo mas num estilo de vida que tem no entretenimento passageiro a maior aspiração humana.

    "A obrigação de pôr a cultura ao alcance de todos teve em muitos casos o indesejável efeito do desaparecimento de a alta cultura, minoritária pela complexidade dos seus códigos, em favor de uma amálgama na qual cabe tudo", afirmou o peruano.

    Llosa criticou as secções destinadas à cultura. Para ele, desapareceram os intelectuais e praticamente os críticos, mas a cozinha e a moda ocupam boa parte das secções dedicadas à cultura, num mundo controlado pela publicidade que dá carta de "cidadão honorário a John Galliano e aos seus espantalhos" - nas palavras do escritor.

    "E já não produz criadores como Bergman, Visconti ou Buñuel. Coroado como ícone é Woody Allen, que está para um David Lynch ou um Orson Wells como Andy Warhol para Gauguin", afirmou Llosa.

    Mas foi a política, concluiu Vargas Llosa, que experimentou maior banalização, porque os tiques nervosos da publicidade tomam o lugar das ideias.

    "Carla Bruni com o seu fogo de artifício mediático, mostra como nem sequer a França pôde resistir à frivolidade imperante", completou o escritor.

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