Região prepara cartografia de risco mais detalhada e reforço da monitorização

Região está a preparar nova cartografia de risco, com maior pormenor, para avaliar a suscetibilidade a movimentos de vertente e outros perigos naturais, ao mesmo tempo que reforça a rede de monitorização geomorfológica AZMONIRISK.



A Região vai investir em nova cartografia de risco, com maior pormenor, para avaliar a suscetibilidade a movimentos de vertente e outros perigos naturais, assim como no projeto AZMONIRISK, para alargar a monitorização de taludesinstáveis a novas áreas prioritárias, revelou o secretário regional do Ambiente e Ação Climática, Alonso Miguel.

Ao Açoriano Oriental, o governante que tutela a Proteção Civil lembrou que os perigos geológicos têm vindo a ser estudados há vários anos, sobretudo pela Universidade dos Açores, o que permitiu, em 2019, publicar pela primeira vez cartografia de suscetibilidade à ocorrência de movimentos de vertente à escala 1:25.000 para todo o território, integrada no Programa Regional para as Alterações Climáticas, bem como mapas de outros riscos naturais, como galgamentos e inundações costeiras e emanações gasosas.

“A qualidade da cartografia depende da informação de base, sendo que, fruto da evolução tecnológica ao nível da computação, tem sido possível melhorar a informação disponível e, com isso, aumentar significativamente o resolução e rigor da cartografia existente”, explicou.

E revelou que “com base num conjunto de levantamentos aerofotogramétricos, com varrimento LIDAR, realizados em 2024, será produzida cartografia topográfica vetorial à escala de 1:2000 para as áreas edificadas e 1:10.000 para as áreas não edificadas da Região, que permitirá a produção de modelos digitais do terreno e de superfície com elevados níveis de resolução e rigor”.

Segundo Alonso Miguel, até ao momento já foram investidos cerca de 1,5 milhões de euros para capacitação da Região com equipamentos tecnológicos fundamentais para o desenvolvimento de cartografia e para realização do levantamento aerofotogramétrico das nove ilhas, sendo que, em 2026, será lançado o procedimento para aquisição de serviços de cartografia topográfica vetorial, num valor de investimento de 2,2 milhões de euros, que permitirá representar, com elevado grau de detalhe e rigor, elementos cartográficos de base, como, por exemplo, redes hidrográficas, infraestruturas e vias de comunicação, toponímia ou curvas de nível.

“Com estes dados, a Secretaria Regional do Ambiente e Ação Climática vai desenvolver cartografia de pormenor de risco para inundações costeiras, galgamentos em bacias hidrográficas e suscetibilidade a movimentos de vertente, informação que deverá ser integrada de forma estratégica e preventiva no planeamento do território”, revelou.

Alonso Miguel sublinhou que, num contexto de alterações climáticas a que o arquipélago é particularmente vulnerável, esta capacitação em ordenamento do território é essencial para prevenir e mitigar riscos naturais e reforçar a proteção de pessoas e bens nos Açores.

Já acerca da monitorização dos movimentos de vertente, o secretário regional recordou que se trata de eventos de instabilidade geomorfológica altamente imprevisíveis, resultantes da combinação de fatores de predisposição – como declive, geologia, falhas, uso do solo e humidade – e de fatores desencadeantes como precipitação intensa ou sismos. Nesse sentido, referiu que os Açores, pela localização geográfica e pelas características hidrológicas, geológicas e geomorfológicas, apresentam elevados níveis de suscetibilidade a estes fenómenos, que podem ter diferentes tipologias, dimensões e velocidades.

Segundo Alonso Miguel, é possível monitorizar zonas de maior instabilidade e movimentos lentos, com deslocações de poucos milímetros por ano, através de redes geodésicas, piezométricas e inclinométricas, o que já acontece em várias áreas sinalizadas. Já nos movimentos muito rápidos, que podem atingir dezenas de metros por segundo, essa monitorização torna‑se inviável, pelo que a solução passa pela modelação matemática e pela produção de cartas de suscetibilidade à ocorrência de movimentos de vertente, que já existem para todas as ilhas à escala 1:25.000 e cobrem todo o território terrestre regional.

Neste contexto, o secretário regional destaca o projeto AZMONIRISK como ferramenta central de avaliação, monitorização e acompanhamento de zonas de maior instabilidade, com risco para populações e infraestruturas. No âmbito deste projeto, estão a ser monitorizados deslocamentos de massa em locais como a Maia, Praia Formosa e Panasco (Santa Maria), Ribeira Quente e Faial da Terra (São Miguel), a vertente sobranceira à vila da Calheta (São Jorge), bem como a Fajãzinha, a Cuada e o talude junto ao aeroporto das Flores.

Estes trabalhos resultam de uma estreita colaboração entre a administração regional e a academia, em particular com o CIVISA/IVAR e o Laboratório Regional de Engenharia Civil (LREC). Alonso Miguel revelou ainda que, através do projeto Life IP CLIMAZ, está previsto o alargamento da rede AZMONIRISK a um conjunto adicional áreas prioritárias, reforçando a capacidade de acompanhamento deste tipo de fenómenos naturais.

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