Nacionalização do BPN

Vítor Constâncio recusa demitir-se

Vítor Constâncio recusa demitir-se

 

Lusa/AOonline   Economia   12 de Nov de 2008, 11:28

O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio recusa demitir-se na sequência das irregularidades encontradas no Banco Português de Negócios (BPN), por considerar que não houve falha na supervisão.
“Nada me pesa na consciência em termos de ter cometido qualquer acto para ter contribuído para esta situação”, afirmou esta noite Vítor Constâncio no Parlamento, onde foi explicar aos deputados as irregularidades no BPN que levaram à nacionalização do banco.

    “Não colho a sugestão de me demitir”, respondeu Constâncio ao líder do CDS-PP, Paulo Portas, que tinha pedido a demissão do governador do Banco de Portugal.

    Segundo o governador, apenas em 2007 “apareceu pela primeira vez uma referência ao Banco Insular numa análise a um dossier de crédito”.

    A relação com o Banco Insular e a descoberta de um balcão virtual foram as irregularidades encontradas nas contas do BPN e que estiveram na origem da sua nacionalização.

    Até àquela data houve problemas que foram sendo sucessivamente resolvidos e que, por si só, não justificariam a falência do banco, defendeu.

    Perante a acusação de que muitas pessoas sabiam o que passava no BPN, Constâncio respondeu que “não se faz supervisão com base em boatos”.

    O governador do banco central considerou que foi a acção da supervisão do Banco de Portugal que permitiu encontrar as irregularidades, já que a descoberta daquelas duas situações “resultou unicamente da acção de supervisão do Banco de Portugal”.

    Vítor Constâncio confessou até que o ex-presidente do BPN, José Oliveira e Costa, “queixava-se do rigor que a supervisão impunha” ao banco.

    Para melhorar a supervisão, o governador deixou um conjunto de propostas.

    “A moldura penal deve ser um pouco alterada para poder ser mais ágil, para punir e prender prevaricadores neste domínio”, disse, acrescentando que outra das alterações devia passar pela “criminalização de algumas situações que neste momento são objecto de contra-ordenação, como a prestação de informações falsas”.

    Defendeu ainda a colocação de “equipas permanentes” de supervisão dentro dos maiores bancos “para facilitar o diálogo” e a criação de um incentivo financeiro para os denunciadores.

    Com excepção do PS, os partidos da oposição consideraram que a actuação do governador foi lenta.

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