Sociedade

Um em cada cinco funerais fica mais caro que o previsto


 

Lusa/AOonline   Nacional   31 de Out de 2008, 10:32

Um em cada cinco funerais realizados em Portugal fica mais caro do que o esperado, o que motiva o descontentamento de 40 por cento dos inquiridos num estudo realizado pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO).
O estudo, que será publicado na revista “DECO PROTESTE” de Novembro e que a agência Lusa teve acesso, foi realizado através de um questionário - que obteve 2.081 respostas - que tinha como objectivo conhecer as experiências vividas pelos portugueses com agências funerárias nos últimos 10 anos.

    Em 2007, ano em que foram registados mais de 103 mil óbitos, os portugueses gastaram cerca de 170 milhões de euros em cerimónias fúnebres, uma média de 1.700 euros por pessoa.

    Muitas destas pessoas ficaram insatisfeitas com o preço que pagaram, mas, apesar disso, foram muito poucas as que apresentaram queixa à DECO.

    Graça Cabral, da associação, disse à Lusa que desde Janeiro até Outubro deste ano apenas foram apresentadas seis queixas dos consumidores, todas relacionadas com preços que ultrapassaram o que estava previsto.

    Segundo o estudo, quase metade dos inquiridos não tinha ideia de quanto iria pagar pelo funeral e apenas 20 por cento solicitou os custos antecipadamente.

    Dos que tiveram esta iniciativa, mais de 60 por cento não receberam antecipadamente nenhum tipo de orçamento ou previsão de preço e quase um terço dos que receberam um cálculo geral acabaram por pagar mais.

    Da minoria que recebeu uma previsão detalhada, um em cada dez desembolsou mais, o que prova que, com um orçamento pormenorizado, o risco de desvio no preço final é menor, sublinha a associação.

    “A surpresa desagradável de receber uma factura com um total superior ao calculado traz um sabor ainda mais amargo a uma situação só por si muito frágil”, num momento em que “a capacidade de negociar é diminuta e onde é fácil avançar com soluções mais caras”, refere o estudo.

    Por lei, as funerárias são obrigadas a dispor de um mostruário diversificado com os seus artigos, mas as opções dadas pelas agências aos inquiridos no estudo foram, em muitos casos, reduzidas, tendo surgido depois alguns pormenores que aumentaram as despesas com o funeral.

    O estudo indica ainda que há muitos funerais em que a agência tem um comportamento que contraria a lei, como contactar no hospital a família, de forma directa, ou através de funcionários.

    De acordo com o estudo, a esmagadora maioria dos inquiridos só contactou uma agência, facto que pode ser explicado com a fragilidade psicológica em que a pessoa se encontra a seguir à morte de um ente querido.

    Para evitar as situações identificadas no inquérito, a DECO defende a necessidade de criar um impresso padronizado para orçamentos e a obrigação de as empresas fornecerem um orçamento discriminado por escrito quando o consumidor o exigir.

    Advoga ainda a obrigatoriedade da celebração de um contrato escrito antes da prestação do serviço e exige “mais atenção e rigor” do Ministério da Economia e da Autoridade Alimentar e Económica ao nível da fiscalização.

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