Tutela satisfeita mas pede prudência com resultados do PISA

Sofia Ribeiro, secretária regional da Educação e Administração Educativa, considera que os resultados obtidos pelos alunos açorianos no PISA 2025 são positivos, mas sublinha que ainda é prematuro atribuir esta melhoria a uma medida ou reforma específica



Para a secretária regional da Educação e Administração Educativa, Sofia Ribeiro, há razões para a Região estar satisfeita com os resultados alcançados pelos alunos no PISA 2025 - Programme for International Student Assessment. No entanto, apesar da distância que separa os resultados dos Açores dos do resto do país ter diminuído, sublinha que não é ainda possível apurar uma medida concreta como responsável por esta evolução.

“É uma contratendência positiva para nós, para os Açores”, afirma, sublinhando que esta evolução positiva acontece numa altura em que tanto as médias nacionais como as da OCDE baixaram. 

A secretária regional contextualiza que os alunos avaliados passaram pelo período da pandemia e que, por isso, beneficiaram de medidas como o reforço do apoio educativo, o programa Empresários pela Inclusão Social (EPIS) e a implementação progressiva dos manuais digitais. Ainda assim, Sofia Ribeiro não afirma que a melhoria dos resultados se deve a uma ou ao conjunto dessas iniciativas.

“É prematuro estarmos a fazer essa apreciação global”, diz. E acrescenta que, para se perceber o impacto das medidas é preciso ter em conta mais indicadores além dos resultados do PISA 2025 e  olhar para evolução dos alunos ao longo do tempo.

Meritocracia será utopia?

O ponto de partida das crianças e dos jovens não é o mesmo, e o PISA 2025 mostra que as condições socioeconómicas têm influência no desempenho nas áreas da Matemática, Ciências e Leitura.

Estas desigualdades não são alheias a Sofia Ribeiro, que reconhece que as condições económicas e culturais das famílias têm peso no desempenho escolar. Por isso, diz que diminuir essas desigualdades está no centro da Estratégia Educação Açores 2030.

A secretária regional fala do reforço que tem vindo a ser feito na ação social escolar e sublinha o investimento na desmaterialização dos manuais escolares a partir do 5.º ano.

Segundo a governante, esta mudança veio garantir que todos os alunos tivessem acesso a materiais de estudo, independentemente daquilo que cada um tem ao seu dispor em casa. 

“Diferenciação positiva” é a expressão usada por Sofia Ribeiro: dar mais apoio a quem tem como ponto de partida condições socioeconómicas menos favoráveis, para que todos possam chegar aos mesmos objetivos.

Ainda sobre os manuais digitais, explica que agora todos os alunos passaram a ter acesso  aos mesmos recursos de aprendizagem através do equipamento eletrónico atribuído pelas escolas, coisa que antes não acontecia. Mas, mesmo assim, sublinha que não é prudente justificar a melhoria dos resultados apenas com base nesta medida. 

Apesar da melhoria, a verdade é que os Açores ainda continuam abaixo da média nacional e da OCDE. Ainda assim, Sofia Ribeiro não considera que a evolução seja desvalorizada por causa do desfasamento que ainda existe. Pelo contrário, explica que uma região que têm como ponto de partida resultados muito baixos precisa de tempo para recuperar. E que, além de recuperar, é preciso caminhar num sentido de convergência.

“A evolução, principalmente no que diz respeito a indicadores no âmbito da educação, faz-se em décadas e não de um ano para o outro”, acrescenta.

E um pacto para a Educação?

O que é certo é que, apesar da melhoria, os Açores continuam atrás. E, por isso, pode voltar a velha discussão  da necessidade de uma estratégia educativa a longo prazo. Aliás, a própria secretária regional sublinha que para haver evolução na Educação são precisas décadas.

A nível nacional, os resultados do PISA 2025 voltaram a alimentar o debate sobre um eventual pacto para a Educação. E, nos Açores, esta ideia também não é nova.

Sofia Ribeiro garante que o Governo Regional está disponível para o diálogo. Recorda que, antes de ser delineada a Estratégia Educação Açores 2030, foram feitas reuniões com os partidos políticos e aberta a participação à comunidade, o que resultou em vários contributos que vieram a fazer parte da estratégia.

Contudo, deixa o alerta: “As propostas de convergência têm que ter, por base, uma aplicabilidade efetiva. Não podemos ficar apenas por grandes parangonas”, conclui.

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Governo Regional concluiu as audições para o Plano e Orçamento da Região para 2027, após as auscultações aos parceiros sociais e económicos, que pediram mais investimento e financiamento para o próximo ano. Na quarta-feira, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, reuniu com o CESA