Conforme o comunicado da CCIA enviado à redação, os empresários querem que o Plano e o Orçamento da Região dê uma maior importância e aposto ao setor privado como “motor da geração de riqueza e de emprego” com o intuito de ser “possível haver sustentabilidade nas desejadas políticas sociais”.
Relativamente ao momento atual, a CCIA alerta para um cenário de “incerteza e de riscos”, devido à continuação de conflitos armados e tensões comerciais internacionais. Esta situação, na ótica dos empresários, tem um impacto na economia global e nos Açores, “num contexto em que a economia regional se encontra em desaceleração”.
O turismo foi outro dos pontos abordados. Os empresários alertam para a necessidade de um “reforço significativo” na dotação destinada à promoção, com uma execução integral e direcionada na promoção do destino Açores, acrescentando que a VisitAzores “não está a funcionar como seria desejável.
Para os empresários, no Plano Anual Regional para 2027, no âmbito do turismo, é necessário uma estratégia clara, ações de forte combate à sazonalidade, a chegada de uma low-cost para o mercado nacional; e melhores ligações aos principais mercados, como Estados Unidos, Canadá e Europa.
A CCIA enumerou alguns constrangimentos que o próximo Plano e Orçamento vai enfrentar, nomeadamente:o fim do PRR; o financiamento dos projetos do PRR que ficaram por concluir ou reprogramados; as despesas dos projetos financiados pelo PRR; a situação das finanças da Região; a situação do setor público empresarial; a previsível redução de receitas de 53 milhões de euros; o crescimento das despesas na saúde; e o atraso nos pagamentos a fornecedores.
Os fundos comunitários foram igualmente mencionado pelos empresários e considerado prioritário a garantia do aproveitamento integral dos fundos comunitários.
Na visão dos empresários, os fundos devem ser direcionados para projetos que potenciam a economia regional e pede o reforço de execução do programa Açores 2030, que em agosto apresentava uma taxa de execução de 18,63%.
No âmbito dos transportes marítimos, o CCIA defende a revisão do atual modelo de transporte de mercadorias, que tem custos elevados para as empresas. Propõe também a criação de alternativas, como a implementação de obrigações de serviço público ou de um POSEI Transportes e a melhoria do transporte marítimo de passageiros no Grupo Oriental, assim como em todas as ilhas.
No transporte aéreo, a CCIA pede maior transparência nos aspetos mais relevantes do processo de privatização da Azores Airlines, salvaguardando as questões confidenciais, e uma melhoria de resposta da SATA Air Açores em algumas épocas do ano.
Os empresários defendem, por fim, uma maior intervenção do executivo regional na economia e no turismo, com políticas públicas mais eficientes e maior articulação com os agentes económicos privados.
Com isso, na estrutura governamental, a CCIA pretende a criação de uma área com competência transversal na economia e de uma com competência somente no turismo, sem qualquer aumento de custos com a estrutura governamental.
