Telas da Sé de Angra aguardam reparação décadas após sismo e incêndio que destruiu igreja

Telas da Sé de Angra aguardam reparação décadas após sismo e incêndio que destruiu igreja

 

Lusa/AO Online   Regional   25 de Set de 2013, 11:35

A Sé de Angra do Heroísmo tem 10 telas à espera de verba para serem restauradas, revelou à Lusa o vigário-geral da Diocese de Angra, a propósito do 30º aniversário do incêndio que destruiu a igreja.

 

As telas, que decoravam as capelas laterais da Sé Catedral de Angra, nos Açores, não foram, no entanto, fustigadas pelo incêndio de 25 de setembro de 1983, uma vez que por essa altura já se encontravam no centro de restauro.

"As telas são possíveis de recuperar precisamente porque não estavam lá", frisou o padre Hélder Fonseca, explicando que na altura a igreja se encontrava em obras, na sequência do sismo de 1980.

No espaço de quatro anos, a Sé foi atingida por três catástrofes: em 1980, por um sismo de 7.2 na escala de Richter; em 1983, uma derrocada destruiu uma das colunas e o frontispício e, no mesmo ano, quando decorriam as obras de reparação, um incêndio.

O mobiliário ardeu todo, salvou-se apenas o que era móvel, como pratas, paramentos e telas, que tinham sido deslocados para o salão do seminário.

O prejuízo é incalculável: as cadeiras dos cónegos, do coro alto e do coro baixo, os órgãos de tubos, os lustres em madeira, o soalho, os caixotões dos tetos e as imagens esculpidas na parede foram destruídos, sem recuperação possível.

Segundo o padre Hélder Fonseca, ao longo dos últimos anos, foram restauradas cerca de duas dúzias de telas, mas ainda faltam 10 com representações de santos e cenas bíblicas, cuja reparação está avaliada em cerca de 120 mil euros.

O custo é repartido entre a paróquia e a Direção Regional da Cultura, por isso, para que o restauro avance, é necessário que ambas as partes tenham verba disponível.

As molduras e os enquadramentos em talha dourada arderam e, em alguns casos, "já há dificuldade de se saber de onde é que elas eram", mas o vigário-geral da Diocese de Angra disse acreditar que é possível voltar a colocá-las na igreja.

Para Hélder Fonseca, o incêndio foi mais "determinante" na reconstrução da igreja do que o sismo, já que destruiu tudo o que a revestia do estilo barroco, que tinha sido acumulado ao longo dos séculos XVII e XVIII, "quer por mandato dos reis e da corte, quer por ofertas".

"A filosofia da reconstrução do sismo era pôr a Sé como ela estava. Fortificada a sua estrutura e as paredes, o interior era para manter. O incêndio é que dá a Sé nova", frisou.

Na altura, houve quem criticasse o estilo mais simples e preferisse manter a Sé barroca, mas na opinião do vigário-geral a solução adotada "não foi a pior".

"Esse barroco não era a verdade da origem da igreja. A Sé que foi queimada não era a Sé de origem, é esta", salientou, lembrando que quando se optou por colocar os santos em colunas brancas para os destacar as pessoas diziam que estavam em cima de "frigoríficos".

O incêndio foi ateado por um jovem que tinha acesso ao interior igreja e que depois foi declarado doente de foro psiquiátrico, mas na altura houve quem suspeitasse que a ação tivesse sido encomendada.

Hélder Fonseca, que viu na altura a Sé arder, recordou o cenário como "assustador", mas salientou que o final poderia ter sido "trágico", porque "o fogo era tão alto que atravessava a rua" e ameaçava alastrar-se a vários quarteirões de Angra do Heroísmo.

"Parecia que o centro da cidade todo ardia e graças a Deus não foi mais perigoso, porque não estava muito vento", sublinhou, recordando também a intervenção dos bombeiros portugueses e americanos.

 

 


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.