Irão

Teerão diz estar próximo de acordo com Omã sobre estreito de Ormuz

O Irão afirmou estar próximo de concluir um acordo com Omã para gerir o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, acrescentando que os dois países já alcançaram um entendimento sobre as rotas de navegação



“Existe um entendimento sobre o mapa das rotas de tráfego, mas estamos e iremos finalizar o entendimento sob a forma de um pacote. Este pacote inclui o mapa e uma declaração conjunta”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baghaei, numa conferência de imprensa.

O porta-voz acrescentou que a conclusão do acordo tem sido atrasada pela “complexidade da questão” e pela situação de insegurança no estreito de Ormuz, que Teerão atribui à “ação militar ilegal dos Estados Unidos e do regime sionista”, designação utilizada pelas autoridades iranianas para se referirem a Israel.

Baqaei afirmou que Teerão e Mascate procuram estabelecer, “pela primeira vez”, um mecanismo que garanta simultaneamente “a soberania e os direitos soberanos dos dois Estados costeiros” e a passagem em segurança dos navios mercantes por uma das mais importantes rotas marítimas internacionais.

O porta-voz iraniano denunciou ainda a existência de “uma multidão de atores” que procura influenciar as negociações e acusou alguns “grupos maliciosos”, que não identificou, de desenvolverem “esforços destrutivos” destinados a perpetuar os conflitos e a instabilidade na região.

“As negociações entre o Irão e Omã continuam seriamente. Estão a ser trocadas opiniões sobre o texto da declaração conjunta”, afirmou Baghaei.

Os dois países demonstraram até agora determinação em criar um mecanismo que responda aos interesses de ambas as partes e tenha igualmente em consideração as necessidades do transporte marítimo internacional, disse.

A reabertura completa do estreito de Ormuz à navegação comercial é uma das principais exigências dos Estados Unidos, embora não seja ainda claro se o mecanismo em negociação entre Teerão e Mascate vai responder às condições estabelecidas por Washington.

As declarações coincidem com o fim do prazo de 60 dias previsto no memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irão para negociar um acordo definitivo destinado a pôr termo ao conflito e alcançar um compromisso sobre o programa nuclear iraniano.

O entendimento provisório, assinado em junho, previa também o fim das hostilidades e a reabertura do estreito de Ormuz, mas ficou comprometido poucas semanas depois, com o reinício dos ataques norte-americanos contra o Irão.

Teerão considera agora que o prazo de 60 dias perdeu relevância devido ao que classifica como violações norte-americanas do memorando, enquanto Washington continua a exigir a reabertura da estratégica passagem marítima.


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