Carneiro acusa Montenegro de censura aos jornalistas e diz que o “rei vai mesmo nu”

O líder do PS acusou o primeiro-ministro de ter feito um discurso de rentrée de "autojustificação e censura" aos jornalistas, considerando que o "rei vai mesmo nu" e que o Governo não tem sabido reagir às crises



"Luís Montenegro optou por um discurso de autojustificação e de censura àqueles que realizam o escrutínio do seu Governo. Aos jornalistas, eu quero dizer-lhes e lembrar que não é a primeira vez, porque já em 2025 um dos alvos das críticas da AD no seu comício do Pontal foi precisamente o jornalismo livre, plural, independente, que faz o escrutínio e que é garantia da qualidade da vida democrática", criticou José Luís Carneiro da rentrée do PS, em Olhão, distrito de Faro.

O líder do PS considerou que, sobre "a alegada obra que diz já orgulhar-se" Luís Montenegro, "alguém tem de dizer ao primeiro-ministro que o rei vai mesmo nu". 

"Em primeiro lugar porque o Governo e o primeiro-ministro não deram até hoje prova de conseguir reagir, responder com capacidade, com sensibilidade e com competência às crises que têm assolado o país e que têm colocado em causa a segurança das pessoas e que têm posto em causa a previsibilidade da capacidade de resposta do Estado", criticou.

Carneiro lamentou que o país esteja "sem rumo estratégico" e, ao longo do seu discurso de cerca de 40 minutos, criticou a atuação do executivo em várias áreas, insistindo na ideia de que o Governo de Luís Montenegro falhou em diferentes aspetos e promessas que fez.

"O que se está a passar nas funções nevrálgicas do Sistema de Segurança Interna exige o mais elevado sentido de Estado ao primeiro-ministro e o primeiro-ministro não pode lavar as mãos como se nada tivesse que ver com a degradação da confiança nas instituições que são essenciais para a salvaguarda do Estado de direito democrático", avisou. 

A questão da educação e da recente polémica com os exames não ficou de fora do discurso, acusando o Governo de ter "desmantelado estruturas fundamentais do Ministério da Educação", o que teve consequências na digitalização dos exames. 

"E teve, de facto, esta imprevisibilidade, esta insegurança que afetou famílias, afetou os jovens num dos momentos decisivos da nossa vida coletiva (...) e é por isso que é incompreensível que o primeiro-ministro, num discurso de 47 minutos, não tenha tido cinco minutos para pedir desculpa aos portugueses, não tenha tido a humildade democrática de dizer que não ocorreu como o Governo esperava", criticou.

Carneiro recordou ainda as declarações de Montenegro na sexta-feira sobre a TAP e anotou "uma certa ironia" por o primeiro-ministro ter mostrado "um certo contentamento pelos resultados que aparentemente vão resultar do processo de privatização de uma parte do capital da TAP" depois de terem estado "contra a assunção de responsabilidades por parte do Estado" no período da pandemia.

"Mas há uma pergunta que eu quero também fazer ao doutor Luís Montenegro do ponto de vista estratégico da nossa economia. Ele que defende o Fundo Soberano deve explicar aos portugueses que, numa matéria tão sensível como é a soberania energética nacional, como é que até agora ainda não tomou uma posição sobre as garantias do negócio da Moeve com a Galp e a garantia de que Portugal continuará a ter um papel determinante naquela que é a única refinaria do país responsável por 90% dos combustíveis do nosso país", desafiou.

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A Escola do Mar dos Açores (EMA) recebeu, no dia 11, a visita do cônsul do Canadá em Portugal, Eduardo Collier. A visita teve como objetivo manter as conexões existentes entre o arquipélago e a embaixada canadiana