A reunião começou ao fim da manhã, disse uma fonte diplomática à agência de notícias France-Presse (AFP).
Kushner viajou para Israel com Nikolai Mladenov, o alto representante para Gaza no Conselho de Paz, um órgão criado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, para aplicar o plano.
Os meios de comunicação israelitas noticiaram que o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, escolhido por Trump para integrar o Conselho da Paz, também devia participar na reunião.
No final de julho, o movimento palestiniano Hamas concordou com um roteiro norte-americano para lançar a segunda etapa, que prevê o desarmamento do grupo extremista e a retirada israelita do território palestiniano.
O exército de Israel ocupa mais de 60% da Faixa de Gaza.
Netanyahu rejeitou oficialmente o texto e exigiu um “desarmamento verdadeiro” do Hamas.
Durante um encontro no Egito com elementos do Hamas, Kushner insistiu na adoção de medidas que permitam verificar o desarmamento do grupo, disseram à AFP fontes oficiais na condição de não serem identificadas.
Kushner, genro de Trump, reafirmou também a ausência de qualquer papel futuro do Hamas na governação de Gaza, acrescentaram as mesmas fontes.
O Hamas, no poder na Faixa de Gaza desde 2007, reivindicou o ataque terrorista de 07 de outubro de 2023 em Israel, que desencadeou uma ofensiva israelita devastadora no território palestiniano.
A ofensiva causou dezenas de milhares de mortos, a destruição de grande parte das infraestruturas de Gaza e acusações de genocídio contra Netanyahu.
O Hamas anunciou em julho a dissolução da administração civil que liderava e a intenção de transferir as responsabilidades para o Comité Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês).
O comité é um órgão criado pelo Conselho de Paz composto por tecnocratas palestinianos e encarregado de assegurar a transição no território.
Um responsável do Hamas declarou à AFP que o movimento transmitiu a Kushner o desejo de que sejam exercidas pressões sobre Netanyahu para que adira à segunda fase do plano.
“O Hamas aguarda a resposta da administração norte-americana relativamente à posição de Israel sobre o acordo”, declarou a fonte do grupo palestiniano, também na condição de não ser identificada.
Durante anos, os Estados Unidos recusaram qualquer contacto com o Hamas, classificado por Washington como organização terrorista.
Para pôr fim ao conflito, a administração Trump mostrou-se mais aberta a contactos diretos.
No domingo, Kushner reuniu-se igualmente com o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, e com representantes dos países mediadores, Egito, Qatar e Turquia.
Em Israel, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, apelou para homicídios em massa em Gaza.
“Penso que deveriam ser realizadas eliminações direcionadas todas as noites em Gaza. Eliminem 30 ou 40”, declarou recentemente Ben Gvir num ‘podcast’ com uma antiga refém de Gaza.
“Não apenas aqueles que vos colocam atualmente em perigo. São pessoas que não deveriam estar vivas”, acrescentou.
“Já lhes estou a fazer um elogio ao chamá-los de seres humanos”, afirmou o ministro de extrema-direita.
O Hamas e Israel acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo de outubro de 2025 no território palestiniano, devastado por dois anos de guerra.
Pelo menos 1.262 palestinianos foram mortos em Gaza desde o início da trégua em outubro de 2025, segundo o Ministério da Saúde do território, cujos números são considerados fiáveis pela ONU.
No mesmo período, Israel registou a morte de cinco soldados e de um prestador de serviços a trabalhar para o Ministério da Defesa.
