Suspeito de terrorismo

Suspeito de terrorismo tinha barbearia no Porto

Suspeito de terrorismo tinha barbearia no Porto

 

Lusa / AO online   Nacional   7 de Nov de 2007, 17:18

Os clientes do barbeiro argelino Samir Boussa, 35 anos, detido terça-feira no Porto sob suspeita de envolvimento em terrorismo, dizem que trabalhar devagar era a sua marca distintiva e que perdia mais tempo no café do que a tratar do "look" dos clientes.
No entanto, quanto ao seu alegado envolvimento em actividades terroristas, todos concordam que o seu comportamento nada o indiciava.

"Geralmente, o Samir só cortava a barba e era muito lento. Nunca demorava menos 30 minutos", conta Marco Gonçalves, 31 anos, enquanto bebe uma cerveja frente à barbearia de Samir, agora de portas fechadas, na Rua Cimo de Vila, imediações da Praça da Batalha.

Pelos vistos, a "lentidão pegava-se" porque - acrescenta António Teixeira, 36 anos - o empregado de Samir, igualmente argelino, "nunca conseguia cortar o cabelo em menos de uma hora".

Mas, como devagar se vai ao longe, Marco e António atestaram à agência Lusa que o trabalho "era sempre bem feito".

Quanto às razões porque Samir se esquivava a cortar o cabelo, isso é algo que os seus clientes não sabem explicar.

“Talvez não soubesse, talvez não tivesse paciência ou, porventura, teria outras actividades que não lhe permitiam perder muito tempo com os clientes”, conjecturam Marco e António.

O que eles atestam é que o comportamento de Samir e do seu empregado era "complemente normal".

"Eram pessoas pacatas", concorda José Correia, 57 anos, que "ainda na semana passada" confiou ao empregado de Samir a missão de lhe aparar o cabelo.

"…e sociáveis", acrescenta José, que encolhe os ombros quando se lhe pergunta se acredita realmente no alegado envolvimento de Samir em actividades terroristas.

"Se, como dizem, recrutava suicidas para o Afeganistão e para o Iraque, isso é abominável, mas, pelo que sei dele, só posso dizer que é educado", testemunha.

Samir, que se fixou legalmente no Porto em 2003, estaria referenciado pelo SIS desde o ano seguinte, na sequência de contactos com 11 magrebinos detidos numa pensão do Porto, na altura de arranque do Campeonato Europeu de Futebol.

Álcool, pelos vistos não consumia, mas este argelino que se fez barbeiro no Porto, há ano e meio, casado e pai de um filho e que estava a ser vigiado pelas autoridades, desde o Verão, passava o tempo a tomar café, "uns atrás dos outros".

Quanto a conversas, ainda que o seu português não fosse escorreito, o homem detido segunda-feira a pedido do Ministério Público italiano e o seu empregado gostavam de dar proveito à fama das barbearias de serem palco de todos os contos e ditos.

Mas o que se conversava era, basicamente, sobre o futebol doméstico, ainda que não lhes fosse desvendada as preferências clubísticas do argelino.

Samir, alvo de um mandado de detenção emitido pelas autoridades italianas, com vista à sua extradição, foi ouvido terça-feira no Tribunal da Relação do Porto, tendo saído numa viatura da Polícia Judiciária.

Em conferência de imprensa, em Lisboa, o coordenador da Direcção Central de Combate ao Banditismo (DCCB), Luís Neves, explicou que a operação que levou à detenção do cidadão argelino teve a colaboração "dos vários serviços de segurança" e ocorreu no seguimento de um mandado de detenção europeu, emitido pelas autoridades italianas, com vista à extradição do suspeito.

Nem a Polícia Judiciária nem a Direcção Geral dos Serviços Prisionais confirmaram se Samir já foi transferido de uma cadeia do Porto para a prisão de alta segurança de Monsanto, em Lisboa.

Também não avançaram quando se consumará a extradição, reclamada pelo Ministério Público italiano.
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