Sindicatos fazem balanço positivo da greve


 

Lusa / AO online   Nacional   30 de Nov de 2007, 17:52

As três estruturas sindicais da função pública fizeram "um balanço francamente positivo" da greve desta sexta-feira e esperam que o Governo tenha em conta a elevada adesão à paralisação e mude de atitude negocial.
O balanço foi feito numa conferência de imprensa conjunta com a Frente Comum, afecta à CGTP, a Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) e o Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE), ambos da UGT.

Os sindicatos disseram aos jornalistas que a greve teve uma adesão média global que ultrapassou os 80 por cento e que teve maior incidência na administração local, saúde, e educação, justiça, segurança social e finanças.

A coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, afirmou na conferência de imprensa que os resultados da greve estão à vista e, para fugir a guerras de números, o melhor seria verificar os serviços públicos que estiveram encerrados ou a funcionar parcialmente.

A sindicalista destacou o exemplo dos tribunais, que encerraram um pouco por todo o país.

Ana Avoila fez questão de deixar um recado ao Governo, dizendo que o executivo "deve ler nesta greve o aviso de que os trabalhadores da administração pública não aceitam que lhes retirem todos os direitos que têm", sob pena de terem de voltar a formas de luta.

O secretário-coordenador da FESAP, Nobre dos Santos, lembrou que o dia de luta de hoje "custou muito aos trabalhadores, sobretudo aos que têm salários mais baixos" e salientou que a greve de hoje contou com a adesão de muitas pessoas que nunca tinha aderido a uma paralisação.

O sindicalista lembrou que está marcada para quarta-feira uma reunião de negociação suplementar entre os sindicatos e o Governo.

"O Governo tem mais que tempo para assumir uma posição diferente da que assumiu até agora e já deve ter percebido que os trabalhadores da Administração central, regional e local estão unidos", disse.

O presidente do Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado, Bettencourt Picanço, saudou os trabalhadores "que pagaram esta greve", descontando um dia de salário, e desafiou o Governo "a sentar-se à mesa das negociações com vontade de negociar e de promover o diálogo".

"Vamos ver dia 5 de Dezembro se o governo entendeu a mensagem", disse aos jornalistas, referindo-se à reunião de negociação suplementar, marcada para quarta-feira, 05 de Dezembro.

Depois do encerramento das negociações, os sindicatos têm a possibilidade de, num prazo de cinco dias úteis, solicitarem uma negociação suplementar, o que já aconteceu, por iniciativa do STE.

Bettencourt Picanço considerou que "não é sério" apresentar dados de adesão à greve com base num universo de 290.000 trabalhadores quanto na função pública existem cerca de 740.000 trabalhadores.

O secretário de Estado da Administração Pública, João Figueiredo, informou ao inicio da tarde que a greve está a ter uma adesão média de 20,03 por cento na administração central, de acordo com dados provisórios recolhidos pelos respectivos serviços, e com base num universo de 290 mil trabalhadores.

A greve de hoje foi convocada para protestar contra a intransigência negocial do Governo, que manteve a actualização salarial nos 2,1 por cento para o próximo ano.

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