Sindicato lembra que OPA foi contestada pelo BPI por eliminar 3000 empregos


 

Lusa / AO online   Economia   26 de Out de 2007, 11:47

O presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas recordou esta sexta-feira que um dos argumentos do presidente-executivo do BPI, Fernando Ulrich, para contestar a OPA do BCP foi a de que implicava eliminar 3 mil postos de trabalho.
Em declarações à agência Lusa, Delmiro Carreira diz que a proposta de fusão, mesmo que não fechem balcões, nos serviços centrais resulta sempre destes processos um excedente de recursos humanos.

Para o dirigente sindical, "a tónica é sempre posta nos accionistas e na dimensão do banco" resultante, mas "apetece reivindicar que a lei obrigue a que a componente recursos humanos seja um dos elementos a considerar nestes processos".

Delmiro Carreira sublinhou que ainda quinta-feira o Ministro das Finanças reconheceu que o desemprego é um dos problemas do país e considerou que desta fusão podem sair mais desempregados.

"Estamos a falar de quase 18 mil trabalhadores", cerca de 10.500 do BCP e mais de 7 mil do BPI, destacou Delmiro Carreira, observando que quase um terço corresponde pessoas com funções de chefia ou de enquadramento, que podem ser muito afectadas nestes processos.

Precisou que o BCP tem 2.650 pessoas em cargos de chefia e o BPI 1.755.

Delmiro Carreira afirmou que há também problemas ao nível das condições de trabalho, dado que o grupo Millenium BCP tem um acordo colectivo de trabalho (ACT) próprio e o BPI subscreve o contrato colectivo de trabalho (CCT) do sector, que estabelecem condições significativamente diferentes, nomeadamente a nível de salários e carreiras.

Oliveira Alves, coordenador da Comissão de Trabalhadores (CT) do BPI, afirmou à Lusa que os representantes dos trabalhadores da instituição "foram apanhados de surpresa e souberam da proposta de fusão pela comunicação social".

Acrescentou que a CT só recebeu ao fim da tarde uma comunicação da administração do BPI por correio electrónico e não houve qualquer reunião.

Oliveira Alves salientou que ainda hoje de manhã a CT vai protestar pela falta de informação e vai pedir uma reunião com o presidente da comissão executiva do BPI, Fernando Ulrich, para obter mais informação sobre a proposta de fusão e poder tranquilizar os trabalhadores quanto à garantia dos seus direitos, tanto em matéria de manutenção do emprego como de condições de trabalho.

Salientou que é preciso assegurar que não haja condições de trabalho diferentes entre trabalhadores oriundos de cada uma das instituições num banco resultante de uma eventual fusão.

Oliveira Alves observou que a CT quer que a administração do BPI garanta que "serão combatidos os pressupostos que [na altura da OPA do BCP] a administração [do BPI] considerou negativos", nomeadamente a previsão de eliminação de pelo menos 3 mil postos de trabalho e encerramento de 300 balcões.

Acrescentou que outro pressuposto considerado na altura negativo pelo BPI é de que em muitas localidades poderia deixar de haver concorrência bancária.

A comissão de trabalhadores do Millenium BCP só se pronuncia sobre a proposta de fusão depois de se reunir, disse à Lusa Manuel Reis, coordenador em exercício da CT.

O BPI anunciou a 25 de Outubro que enviou ao conselho de administração executivo do BCP uma proposta de fusão dos dois bancos, a qual o banco liderado por Filipe Pinhal vai agora analisar, de acordo com o comunicado do BCP.

O BPI diz que a operação que se propõe é "a fusão do Banco Comercial Português, S.A. com o Banco BPI, S.A." e que a proposta "pressupõe (…) que seja formado um acordo entre os órgãos de administração dos dois bancos quanto ao projecto de fusão e, posteriormente, que esse projecto seja aprovado pelas assembleias gerais de accionistas dos mesmos Bancos".

O BPI oferece meia acção sua por cada acção do BCP na proposta de fusão por incorporação que fez chegar à administração do banco concorrente, tendo esta até 15 de Novembro para dizer se aceita.

 Às 10:22 horas, as acções do BPI estavam a subir 3,07 por cento, para 6,71 euros, e as do BCP avançavam 6,27 por cento, para 3,39 euros.

Fernando Ulrich, presidente executivo do BPI, afirmou quinta-feira que não haverá fecho de balcões nem venda de activos, a não ser o que as autoridades reguladoras vierem a impor.

O presidente executivo do BPI não quis pronunciar-se sobre ajustamentos ao nível dos trabalhadores dos dois bancos, afirmando que "as reestruturações serão uma matéria que será analisada" caso o projecto avance.

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