Açoriano Oriental
Sindicato do ensino superior vê dificuldades no "plano de emergência" para alunos sem aulas

O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) manifestou dúvidas sobre as medidas do Governo para recrutar bolseiros de doutoramento ou docentes do ensino superior para darem aulas em escolas onde faltam professores.

Sindicato do ensino superior vê dificuldades no "plano de emergência" para alunos sem aulas

Autor: Lusa/AO Online

O Governo aprovou um plano que estipula, entre outras "medidas de emergência", o recrutamento de 500 bolseiros de doutoramento para "reter e atrair" a partir do próximo ano letivo professores para escolas com alunos sem aulas.

O presidente do SNESup, José Moreira, realçou à Lusa que os bolseiros de doutoramento estão “num processo de trabalho bastante exaustivo” e que “exige muita dedicação”.

“É complexo porque estamos a falar de pessoas que estão a trabalhar para obter o grau de doutoramento e um horário de 10 horas semanais parece-me nitidamente exagerado porque é mais do que um dia completo de trabalho. (…) O plano de trabalho destas pessoas será obviamente afetado”, vincou à agência Lusa o presidente do SNESup, José Moreira.

“Não recusamos que estas pessoas possam participar na resolução deste problema, mas este horário parece revelar algum desconhecimento sobre qual é a dinâmica dos doutoramentos”, acrescentou.

O plano do Governo prevê, ainda, atrair 500 mestres e doutorados para "o exercício de funções docentes com formação científica correspondente aos grupos de recrutamento deficitários, incentivando através de uma bolsa a qualificação profissional para a docência".

Outra das metas será atrair 500 cientistas para "a carreira docente do básico e secundário, tendo em conta o tempo de serviço prestado em instituições de ensino superior, com a obrigatoriedade de frequência da adequada formação pedagógica".

O líder do SNESup apontou que a medida de recrutar doutorados para o exercício de funções docentes pode “trazer a outros graus de ensino algum dinamismo e atualização científica”, lembrando que irá depender sempre "das condições em que estes venham a ser contratados”.

José Moreira considerou, por outro lado, “um pouco estranha” a medida para recrutar docentes do ensino superior para o ensino secundário.

“São carreiras distintas, não foi de nenhum modo posto em evidência como é que se procederia à transição de carreiras, portanto, não creio que este seja uma medida que vá ter grandes hipóteses de sucesso”, frisou.

"Como é que se vai recrutar pessoas ao ensino superior para os outros graus de ensino, tudo isto pode ser apenas uma espécie de balão que não tem por onde encher. Estas medidas podem ser muito espetaculares do ponto de vista da comunicação, mas do ponto de vista prático, de efeitos no sistema, temos muitas dúvidas, salvaguardando o que não conhecemos em pormenor", acrescentou.

Dando o “benefício da dúvida” por não conhecer as medidas em detalhe, José Moreira sublinhou que estas “podem ter algum grau de sucesso, mas também podem ser um completo estoiro e, portanto, não serem rigorosamente nada”.


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