Açoriano Oriental
Covid-19
Secretário da Saúde dos Açores acusa deputados do PS de semearem "pânico"

O secretário regional da Saúde e Desporto dos Açores, Clélio Meneses, acusou os deputados do PS, que faz oposição ao Governo Regional, de semearem “pânico” e “alarme” na população sobre a covid-19.

Secretário da Saúde dos Açores acusa deputados do PS de semearem "pânico"

Autor: Lusa/AO Online

“Estão a semear a confusão, o pânico, o alarme e a discórdia. Isso não contribui em nada para resolvermos os problemas”, afirmou o governante, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo, em que anunciou novas medidas de controlo da pandemia de covid-19 na região.

Na quarta-feira, numa declaração de voto à prorrogação do estado de emergência, o líder parlamentar do PS/Açores e ex-presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, criticou o “desnorte” do Governo Regional, de coligação PSD/CDS/PPM, no combate à pandemia, defendendo ser urgente mudar as políticas de controlo da covid-19 no arquipélago.

“Estes dados demonstram que é necessário e urgente mudar a abordagem que está a ser seguida. Estes são dados que demonstram, crua e cruelmente, que a situação não está nem estável, nem equilibrada”, salientou, referindo um crescimento de 45% do número de casos de infeção na ilha de São Miguel nos últimos 15 dias.

Vasco Cordeiro criticou ainda o facto de o número de testes PCR realizados na região ter estado “abaixo dos mil” em sete dos últimos 15 dias.

Confrontado com as acusações do dirigente socialista, o secretário regional da Saúde acusou Vasco Cordeiro de “tentar desfazer o que está a ser feito” e de faltar à verdade.

Segundo Clélio Meneses, o número de testes realizados foi superior em dezembro (1.315 em média por dia) do que em setembro (1.167) ou outubro (1.099), quando o Governo Regional era liderado pelo PS.

“Entendo que tenham necessidade de contrapor essa falta de protagonismo com outro tipo de declarações, mas que o façam com verdade”, frisou.

Também o deputado socialista Tiago Lopes, ex-diretor regional da Saúde, acusou, na quarta-feira, o secretário regional da Saúde de ter faltado à verdade, ao ter dito que o Hospital da Ilha Terceira tinha um défice mensal de 1,6 milhões de euros.

“Em termos financeiros, o Hospital de Santo Espírito da Ilha Terceira (HSEIT) tem atualmente uma situação estável comparativamente a anos anteriores, por via daquilo que foi o reforço financeiro realizado em setembro de 2020”, afirmou, referindo-se às contas do terceiro trimestre do ano passado.

Clélio Meneses criticou a “postura baixa de politiquice, de mentira e de falsidade” do deputado, citando um comunicado, enviado hoje às redações, pelo hospital.

“O conselho de administração do HSEIT reitera as informações veiculadas pelo sr. secretário regional da Saúde e Desporto, sobre a existência de 1,6 milhões de euros de deficit de tesouraria mensal. A informação divulgada ontem pelos deputados do PS, sobre este assunto, é incompleta e enviesada”, lê-se no comunicado.

A unidade de saúde admite ter existido um “reforço de receitas para fazer face às despesas com a covid-19”, que permitiu “registar, em setembro, um resultado positivo na ordem dos 904 mil euros”, mas alega que “isso não alterou o facto de se registar um deficit financeiro mensal médio de 1,6 milhões de euros”.

“Ao longo de 2020, e analisando os dados até setembro, verifica-se que o HSEIT recebeu, mensalmente, uma média de 6,5 milhões de euros, para fazer face aos seus compromissos. Por outro lado, no mesmo período de análise, os encargos mensais foram, em média, de 8,1 milhões de euros”, justificou.

A administração do hospital rejeita ainda que tenha uma “situação financeira estável”, sublinhando que a dívida acumulada de anos anteriores é de 36 milhões de euros.

Os Açores têm atualmente 564 casos positivos ativos de infeção pelo novo coronavírus, que provoca a doença covid-19, dos quais 519 na ilha de São Miguel, 39 na ilha Terceira, três na ilha das Flores e três na ilha do Faial.

Desde o início do surto foram detetados 2.346 casos, tendo-se registado 22 óbitos e 1.666 recuperações.

O executivo açoriano anunciou hoje a implementação de medidas restritivas, durante o novo estado de emergência, apenas na ilha de São Miguel, como a limitação de ajuntamentos na via pública a mais de quatro pessoas, o encerramento de cafés e restaurantes às 15h00 e a implementação do ensino à distância para todos os estabelecimentos de ensino.

Haverá ainda proibição de circulação entre as 23h00 e as 05h00 nos dias de semana e a partir das 15h00 ao fim de semana, o encerramento do comércio local e centros comerciais às 20h00, e a obrigatoriedade de teletrabalho, sempre que as funções e a atividade o permitam para pessoas com mais de 60 anos ou que tenham determinadas patologias.


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