Estrada Furnas - Povoação poderá avançar via concessão a privados

A secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral anunciou estudos para viabilizar uma concessão rodoviária de três troços, enquanto o presidente da Câmara da Povoação, Pedro Melo, saiu insatisfeito da reunião e exige avanços concretos do Governo Regional



A solução para a ligação rodoviária entre Furnas e Povoação passa por uma concessão rodoviária, explicou a secretária regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, lamentando que os anteriores executivos não tenham integrado a obra em programas de financiamento, como o Plano Operacional e o PRR, atrasando significativamente o seu arranque.

Em declarações aos jornalistas, após uma reunião com o presidente da Câmara Municipal da Povoação, Pedro Melo, a governante disse que estão em curso estudos técnicos, jurídicos e financeiros para viabilizar a concessão, que poderá abranger três intervenções: a ligação Furnas–Povoação, a extensão até à Lomba do Alcaide e a segunda parte do túnel da Ribeira Quente. A prioridade absoluta será o troço Furnas–Povoação.

Berta Cabral explicou que o objetivo é criar um pacote suficientemente apelativo para as empresas concessionárias, permitindo avançar por fases. Caso não surjam contratempos, o concurso público de concessão e construção poderá ser lançado no final do ano, prevendo-se que a obra só comece dentro de aproximadamente um ano, dependendo da tramitação do processo e da participação de operadores interessados.

Enquanto a solução definitiva não avança, será lançado um concurso para a reabilitação do pavimento da estrada regional, cuja situação já se encontrava degradada em vários troços e foi agravada pelas recentes intempéries. Esta intervenção provisória visa melhorar as condições de circulação e reduzir os riscos até que a concessão e a obra definitiva possam avançar.

Autarca da Povoação sugere financiamento bancário para garantir a obra

O presidente da Câmara Municipal da Povoação, Pedro Melo, saiu sem garantias concretas da reunião.“Não era, nem de perto nem de longe, o resultado que queríamos. Saio daqui sem estar satisfeito”, declarou ao Açoriano Oriental, frisando que o concelho aguarda há décadas por uma solução definitiva para uma via considerada perigosa e responsável por vários acidentes.

O presidente da autarquia admitiu ainda que, caso não haja avanços concretos na reunião agendada para setembro, novas formas de pressão poderão avançar.

“Se em setembro não houver as respostas que queremos, vamos avançar com um movimento. Não podemos continuar  à espera”, avisou.

Embora reconheça que a ligação até à Lomba do Alcaide representa um antigo desejo do concelho por atravessar praticamente todas as lombas da Povoação - o autarca foi claro quanto às prioridades:“Esse é o sonho de criança, mas aquilo de que precisamos mesmo é da ligação Furnas–Povoação resolvida. É aí que está o maior perigo”.

O presidente da Câmara lamentou ainda que a intervenção prevista no piso da estrada até à Água Retorta não contemple, para já, uma repavimentação total. “O que precisávamos era de uma pavimentação integral e não apenas de intervenções parciais”, afirmou.

Durante a reunião, Pedro Melo salientou que apresentou ainda propostas alternativas à tutela, reconhecendo, contudo, “as dificuldades financeiras do Governo Regional dos Açores”.

Segundo explicou, em último caso, poderia ser ponderado pelo Governo Regional o recurso a financiamento bancário para garantir a obra.

“Estamos a falar de segurança. Um empréstimo a 12 ou 15 anos dilui o esforço financeiro e permite resolver um problema grave para o concelho”, defendeu, acrescentando que tudo dependerá da vontade política para encontrar uma solução.

O autarca revelou também ter sugerido aproveitar possíveis reajustes do Plano de Recuperação e Resiliência para incluir a ligação rodoviária no financiamento disponível, que vai ocorrer após os recentes impactos das intempéries noutras regiões do País.




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