Saldos de Dezembro não encantam comerciantes

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Carolina Moreira   Regional   29 de Dez de 2011, 09:50

Comprar um artigo a determinado preço no Natal e depois encontrá-lo mais barato nos saldos de Inverno é algo a que já estamos habituados. Quem não comprou uma camisa por 20 euros e depois a encontrou nos saldos por metade do preço? Quem não se arrependeu por não ter esperado?
Esta é uma situação cada vez mais corrente nos dias de hoje, principalmente com a antecipação dos saldos para poucos dias depois das festas natalícias.

Mas nem todos os comerciantes estão satisfeitos com estes descontos ou promoções.

Para Patrícia Lima, o comércio corre-lhe nas veias. Já o seu pai era comerciante. Decidiu seguir-lhe as pisadas e, habituada a esta vida, recorda os tempos em que os saldos só aconteciam em fins de Fevereiro. “Os saldos nessa altura  existiam quando ficávamos à espera da colecção nova para a loja. Agora isso já não acontece, é tudo antecipado.”

Patrícia culpa os centros comerciais por essa antecipação. Afirma que os comerciantes “vêem-se forçados a acompanhar os preços aplicados pelas grandes superfícies se quiserem sobreviver.” Fala-se numa concorrência desleal por esta altura. Uma concorrência que obriga o comércio tradicional a mudar os seus hábitos e costumes.

Mas há quem esteja descontente com a situação por motivos diferentes. Para Carlos Sá, o começo dos saldos em fins de Dezembro é uma “falta de respeito para com os clientes que compram os artigos poucos dias antes,” referindo-se a quem faz as compras para o Natal.

“Já nem se vê aquela euforia característica dos saldos, por que quem gosta de um artigo compra-o.  Não espera que tenha promoções, até porque depois o artigo em questão pode já não ter o tamanho da pessoa,” acrescenta ainda Carlos Sá.

Contudo, nem todos os comerciantes aderem aos saldos de Inverno nesta época. Dada a especificidade dos artigos que vendem e o público alvo dos mesmos, existem comerciantes que definem o seu próprio tempo de saldos. Joaquim Neves é um caso concreto. “Temos que avaliar o que queremos pôr em saldo. Normalmente não começamos logo a seguir ao Natal, é sempre mais tarde. Vamos seguir o processo que seguimos nos anos anteriores. Os nossos saldos correm sempre bem, já que são produtos apelativos, de qualidade, marcas reconhecidas e, por isso, as pessoas compram bem,” afirma com satisfação.

E há ainda para quem os saldos não signifiquem nada. A ourivesaria é o exemplo de um sector no qual não podem existir promoções, dada a “nobreza do que é vendido.” Quem o diz é António Ferreira, comerciante, que salienta ainda que saldos em ourivesaria seria algo “desprestigiante” para os próprios artigos.
Opiniões diferentes adequadas ao sector a que se dedicam.

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