Restrições ao crédito vão agravar-se nos países da periferia da zona euro

Restrições ao crédito vão agravar-se nos países da periferia da zona euro

 

Lusa/AO online   Economia   10 de Out de 2012, 10:02

A periferia e o centro da zona euro estão cada vez mais distantes nos indicadores financeiros, considera o Fundo Monetário Internacional (FMI), que antecipa que o crédito vai continuar a cair em países como Portugal e Grécia.

“A União Monetária está cada vez mais fragmentada entre a periferia e o núcleo”, lê-se no Relatório de Estabilidade Financeira hoje divulgado, que justifica este fosso com o facto de os bancos da zona do euro terem reduzido "significativamente as suas exposições aos países periféricos”, assim como com a diferença nas taxas de juro cobradas entre países da periferia e do centro.

O preço dos novos empréstimos aumentou na periferia, enquanto diminuiu nos países do núcleo da zona euro, indica a instituição liderada por Christine Lagarde. A possibilidade de um país da periferia (como Grécia ou Portugal) sair da zona euro também acentua esta fragmentação financeira na zona euro.

O FMI alerta ainda que, se a confiança financeira da zona euro não for restaurada, deverá haver uma “intensificação” da restrição do crédito na periferia.

De acordo com as estimativas, a oferta de crédito nos países da periferia poderá cair, até final de 2013, entre nove por cento, no cenário base (com melhoria da confiança financeira), e 18 por cento no pior cenário (que implica uma deterioração da confiança).

Para o FMI, a crise na zona euro continua a ser a “principal fonte de incertezas dos investidores” e “principal ameaça” à estabilidade financeira mundial.

Apesar das medidas tomadas pela Europa terem “mitigado os receios mais sérios dos investidores”, a crise tem levado os mesmo “a procurarem refúgios seguros noutras jurisdições, especialmente nos Estados Unidos e no Japão”, que levaram os custos de empréstimos destes Estados “a mínimos históricos”.

O FMI referiu-se ainda às reformas regulatórias que foram executadas na sequência da crise para considerar que os mercados e instituições financeiras continuam pouco transparentes e complexas. Com a falta de políticas adequadas “as economias continuam suscetíveis aos efeitos de contágios transfronteiriços prejudiciais”, avisa.


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