Os Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande resgataram na noite de domingo três jovens turistas espanholas, com idades entre os 28 e os 31 anos, que se perderam num trilho não homologado na zona da Lagoa do Fogo.
O resgate durou mais de seis horas e envolveu mais de 10 bombeiros da Ribeira Grande e Vila Franca, o que levanta mais uma vez a questão sobre se os resgates em trilhos não homologados deveriam ser pagos.
Segundo apurou o Açoriano Oriental junto dos Bombeiros
Voluntários da Ribeira Grande, o alerta foi dado pelas 16h35 de domingo,
sendo que as três turistas iniciaram o percurso no Pico da Barrosa, na
zona das antenas e o objetivo era o de dar a volta completa à cratera da
Lagoa do Fogo, seguindo pelas cumeeiras, até regressarem de novo às
antenas.
Contudo, as turistas perderam-se na zona das Lombadas, no Pico da Vela, sem terem vestuário apropriado nem alguns objetos importantes em trilhos como um carregador portátil para o caso do telemóvel ficar sem bateria ou uma lanterna que ajude a identificar o local onde estão as pessoas durante a noite.
No seu percurso, as turistas ainda chegaram a descer até à linha de água, mas voltaram depois a subir para as cumeeiras e só pararam numa zona de onde já não conseguiam subir mais. Entretanto, também já era perigoso descer, quando os bombeiros lhes pediram por telefone que voltassem para a linha de água, uma vez que a ravina era muito inclinada. Quando foram encontradas pelos bombeiros, já de noite, as turistas estavam bem fisicamente, ainda que com alguns arranhões, devido à vegetação que tiveram de atravessar no caminho.
Em declarações ao Açoriano Oriental, o comandante dos Bombeiros Voluntários da Ribeira Grande, José Nuno Moniz, é claro: “as pessoas deviam pagar o resgate”, afirma, lembrando que uma vez que as turistas não estavam num trilho homologado, “quem se mete em aventuras, devia pagar por elas”.
Em segundo lugar, afirma José Nuno Moniz, “as pessoas têm que ter mais sensibilização, porque temos muitos trilhos na ilha, que vão desde o norte ao sul, passando de um lado para o outro da ilha, com coisas lindíssimas para ver, das Sete Cidades às Furnas e em todo o lado há trilhos homologados”, pelo que é difícil de compreender quando os bombeiros são chamados para resgates em trilhos não homologados em verdadeiras “aventuras”, lamenta o comandante dos bombeiros da Ribeira Grande.
Ainda sobre o resgate de domingo, “por acaso a noite estava muito boa”, salienta José Nuno Moniz, “mas se é uma noite em que cai algum nevoeiro e a temperatura desce, aí então não sei qual seria o resultado”, alerta.
O comandante lembra que os bombeiros fizeram sair para o resgate uma primeira equipa que partiu das Lombadas, mas essa primeira tentativa não deu resultado porque as turistas estavam numa encosta lateral ao percurso que os bombeiros fizeram. Entretanto, uma outra equipa foi enviada no sentido em que as turistas tinham feito o trilho, a partir da Barrosa, no sentido das Lombadas. Contudo, foi a primeira equipa que regressou e que começou depois a fazer o atalho no sentido Lombadas/Lagoa de Fogo que acabou por encontrar as turistas.
As cumeeiras da Lagoa do Fogo têm alguns atalhos que resultam ainda do tempo em que era permitido apanhar leiva para as estufas. Com a proibição desta atividade, estes atalhos ficaram abandonados e podem dar a impressão a alguns turistas de que são trilhos, quando na verdade não o são.
Sobre a operação de resgate, o comandante dos bombeiros da Ribeira Grande explica que “já depois dos bombeiros terem contacto sonoro com as vítimas, só para lá chegar levaram mais de meia hora porque, por onde elas subiram, aquilo é mato puro”.
Contudo, conclui José Nuno Moniz, “não podemos excluir a
hipótese de haver uma fratura de uma perna, de uma anca e depois como é
que a gente vai tirar uma pessoa que está numa ravina com não sei
quantos metros, pô-la numa maca e trazê-la? É demasiado arriscado, não
só para as vítimas, mas também para quem tem a responsabilidade do
resgate”.
