Reitores realçam "espírito de cooperação" com Governo, mas lembram entraves

Reitores realçam "espírito de cooperação" com Governo, mas lembram entraves

 

Lusa/AO Online   Nacional   28 de Nov de 2013, 07:44

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) realçou o "espírito de cooperação e abertura" com que decorreu, na terça-feira, a reunião com o primeiro-ministro, mas lembrou a falta de garantias quanto à descativação de verbas.

 

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, reuniu-se, na terça-feira, na residência oficial de São Bento, em Lisboa, com 12 reitores, uma semana depois de o CRUP ter anunciado o corte de relações institucionais com o Governo e de o seu presidente, António Rendas, se ter demitido.

No final da reunião, onde estiveram presentes o ministro da Educação e Ciência e o secretário de Estado do Ensino Superior, não houve declarações aos jornalistas.

Hoje, em comunicado, o CRUP salienta "o espírito de cooperação e abertura" com que decorreu o encontro, com o primeiro-ministro a manifestar abertura para repor, no início de 2014, "os valores cortados em excesso" nos orçamentos das instituições para o próximo ano.

O CRUP, no entanto, lembra "a falta de garantias quanto à descativação de verbas" deste ano e que "impede as universidades de terem capacidade para suportar todos os custos com pessoal".

O conselho de reitores alerta, ainda, para a dificuldade de as universidades participarem em projetos internacionais e reforçarem o apoio social aos estudantes.

Não obstante a reunião com o primeiro-ministro, o presidente do CRUP continua demissionário, disse à agência Lusa a assessora de comunicação do Conselho de Reitores, Teresa Botelheiro, acrescentado que a questão só será novamente abordada na próxima reunião do CRUP, a 10 de dezembro, na Universidade do Algarve.

Teresa Botelheiro esclareceu, posteriormente, que o CRUP reatou as relações com o Governo, ao contrário de informação anterior.

Há uma semana, em Braga, o CRUP anunciou o corte de relações com o Governo, na sequência das negociações sobre as dotações do Orçamento do Estado para 2014 e sobre a reestruturação da rede do ensino superior.

No mesmo dia, o presidente do CRUP, António Rendas, anunciou a demissão do cargo, face à "generalizada falta de diálogo" e à "quebra de compromissos" por parte do Governo.

Os reitores queixam-se de um corte injustificável, em 2014, de cerca de 30 milhões de euros e da cativação de 10 milhões de euros do orçamento de 2013.

No comunicado de hoje, o CRUP adianta que, da reunião de terça-feira com o primeiro-ministro, a pedido do órgão, "foi acordado" que irá reunir-se regularmente com o ministro da Educação e Ciência, Nuno Crato, e com secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes.

Na nota, o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas congratula-se "com a forma como o Governo se encontra comprometido com a revisão do regime jurídico" das universidades e dos institutos politécnicos, e com "a evolução positiva" quanto à autonomia universitária, assim como com "as garantias dadas quanto à publicação, a breve prazo, do estatuto do estudante internacional".

Quanto à reorganização da rede de ensino superior, que esteve na origem do corte de relações com o Executivo, o CRUP "reafirmou no encontro" com Passos Coelho "continuar comprometido" com o projeto e "manter, em colaboração com o Governo, os pressupostos da concretização dessa iniciativa", a nível nacional e envolvendo todos os parceiros do setor.

 


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