Saúde

Radiações emitidas por telemóveis estão dentro de limites de segurança


 

Lusa / AO online   Nacional   20 de Nov de 2007, 20:28

Os níveis de radiações emitidas pelas antenas de telemóveis em Portugal estão todos abaixo do limite máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, concluiu o projecto monIT, desenvolvido pelo Instituto de Telecomunicações do Instituto Superior Técnico.
Após cinco anos de medições de radiações electromagnéticas em comunicações móveis, a equipa do projecto monIT, da responsabilidade do Instituto de Telecomunicações do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, concluiu que “todos os locais medidos no país estão conforme os limites de segurança”.

O coordenador do projecto, Luís Correia, fez uma pequena demonstração, durante a apresentação do balanço dos primeiros cinco anos do monIT, medidindo as radiações associadas a comunicações móveis no infantário localizado no interior do campus do IST, a 50 metros de uma antena de um operador móvel e a cento e poucos metros de outra antena de um operador concorrente.

 Com um aparelho de medição portátil na mão, Luís Correia apresentou resultados no parque de diversões exterior do infantário cerca de quarenta vezes inferiores aos permitidos para aquele local.

No interior, o aparelho começou por apresentar a mensagem "Low", o que significa que o nível de exposição a radiações electromagnéticas é tão baixo que o aparelho não as consegue detectar, mas rapidamente o visor registou níveis de radiação detectáveis, uma variação que se explica pela número de chamadas móveis a decorrer no momento.

Estas duas medições irão entrar nas contas dos dois próximos, e restantes, anos de actividade do projecto monIT.

No balanço dos cinco primeiros anos, Luís Correia divulgou que foram feitas 2.280 medições pela equipa do projecto em pontos distribuídos por todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas.

Os resultados dessas medições, feitas em locais de acesso público, como praças, ruas, jardins, centros comerciais, hospitais, escolas, entre outros, e a pedido das instituições que usufruem do espaço, mostram que, em todos os locais medidos, os valores de exposição à radiação electromagnética se encontram abaixo do limite máximo de 02 watts por m2, o valor recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Os aeroportos e a rede de metropolitano de Lisboa foram os locais que apresentaram valores de medições mais próximos do limite restritivo - algo que se explica pelas radiações serem emitidas em ambiente interior -, mas cerca de 94 por cento dos locais medidos apresentaram resultados cem vezes abaixo do limite.

Para além das medições localizadas, foram efectuadas pelo monIT medições contínuas, que se distinguem das localizadas por uma continuidade no tempo e pela utilização de equipamentos que funcionam como pequenas estações de medição instaladas em locais escolhidos pelas autarquias.

Os dados obtidos pelas medições contínuas mostram que quase 98 por cento dos locais se encontravam cem vezes abaixo do limite de 2 watts por m2.

As medições tiveram na origem, quase sempre, pedidos das instituições, como ministérios, hospitais, escolas, locais de divulgação cultural, estádios de futebol e outros locais de acesso público, mas a equipa do monIT realizou também algumas medições por iniciativa própria.

Luís Correia deu como exemplo de medições por iniciativa própria as realizadas em Monsanto, em Lisboa, um local susceptível de ultrapassar os limites de radiação máximos pela existência de antenas de televisão, que emitem mais radiação do que as dos telemóveis, mas os resultados desmentiram as expectativas iniciais.

Quanto às preocupações expressas pelos médicos relativamente ao perigo que estas radiações podem representar para a saúde das pessoas, Luís Correia afirma que estas só podem ser explicadas pela "desinformação em relação a este assunto".

"Às vezes, são ditas coisas que não correspondem à realidade", afirma o coordenador do projecto, dando como exemplos a ideia enraizada de que a utilização de auriculares com fio implica maior radiação e o medo de dormir com o telemóvel ao lado por causa das radiações, quando na verdade o telemóvel só emite radiações quando está em comunicação.

Em relação ao valor de emissão de radiações estabelecido como máximo - 2 watts por m2 - Luís Correia remete para o site da OMS, onde se afirma que continua a não haver evidência científica que justifique a alteração destes valores.

Luís Correia referiu também o caso de países europeus que optaram por estabelecer limites de radiação inferiores aos recomendados pela OMS, dizendo que não põe em causa "a validade do princípio da precaução, mas este tem que ser aplicado com conta, peso e medida".

O monIT é definido como "um projecto de comunicação do risco associado à exposição à radiação electromagnética em comunicações móveis".

Com o objectivo de divulgar informação básica - dirigida à população em geral - e técnica - para engenheiros - o projecto criou o um portal on-line, localizável no endereço www.lx.it.pt/monit, no qual também são divulgados os resultados das medições efectuadas.

Desenvolvido por uma equipa de três engenheiros e pelo coordenador Luís Correia, o projecto monIT teve início em 2002 e estende-se até 2009.

O projecto é patrocinado pelos operadores móveis nacionais (Optimus, Vodafone e TMN), sendo a sua gestão da responsabilidade da equipa do Instituto de Telecomunicações, uma instituição associada ao IST com o estatuto de Laboratório Associado do Estado.

Nos próximos dois anos o projecto monIT vai estar centrado na comunicação ao público do risco associado às radiações.
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