Violência Doméstica

Quatro mortes de Janeiro a Junho participadas à APAV

Quatro mortes de Janeiro a Junho participadas à APAV

 

Lusa/AO online   Nacional   28 de Ago de 2008, 11:03

A violência doméstica em Portugal foi responsável por quatro mortes nos primeiros seis meses deste ano, segundo dados da Associação de Apoio à Vitima (APAV), que registou um total de 7803 crimes praticados em família.
    Outros dados recolhidos pelo Observatório de Mulheres Assassinadas da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) revelam que 31 mulheres perderam a vida desde o início do ano.

    Estes dados resultam de uma análise das notícias publicadas na imprensa portuguesa e não de participações efectivas

    Além dos quatro homicídios, a APAV revela ainda a ocorrência de 2.332 situações de maus-tratos físicos, 2.640 de maus-tratos psicológicos e 1.557 casos de ameaças-coacção.

    Os crimes em meio doméstico relatados à associação incluem ainda 68 situações de violação, 51 de abuso sexual, 26 casos de subtracção de menores e 64 por violação da obrigação de alimentos.

    No seu atendimento diário, que registou maior volume nos meses de Abril e Maio, a APAV tomou conhecimento de crimes enquadrados nas estatísticas em outras categorias separadas da violência doméstica: contra as pessoas e humanidade, contra o património, contra a vida em sociedade e rodoviários.

    Entre os crimes contra pessoas e humanidade foram registados 11 homicídios, 171 ofensas à integridade física, 13 raptos e sequestros, 160 casos de ameaças e coação, 35 violações, 23 abusos sexuais, oito de tráfico de pessoas, quatro situações de negligência médica e 37 de discriminação racial.

    Nos crimes contra o património foram relatados à APAV 37 furtos, 49 roubos e 35 burlas, enquanto que nos crimes contra a vida em sociedade há o registo de nove falsificações de documentos, um de fogo posto, seis de abuso de autoridade.

    No primeiro semestre de 2008, a APAV registou um total de 4.699 processos de apoio - mais de 8,5 por cento em relação ao mesmo período de 2007 - apresentados nos gabinetes de apoio à vitima de Lisboa, Porto e Cascais.

    Do total de processos iniciados pela APAV 78 por cento configuravam crimes. Em 85 por cento dos casos as vítimas eram do sexo feminino e 13 por cento do sexo masculino.

    Em termos de faixa etária, as vítimas que recorreram à APAV no primeiro semestre de 2008 situavam-se fundamentalmente entre as faixas etárias dos 26 aos 45 anos de idade.

    Cerca de 40 por cento das vítimas que recorreram à APAV não possuíam qualquer tipo de dependência. No entanto, das dependências assinaladas, foram os fármacos que se destacaram com 7,4 por cento do total.

    Em termos de nacionalidade da vítima, o continente europeu destaca-se claramente, tendo em conta que em 80 por de situações a vítima é de nacionalidade portuguesa.

    No entanto, segundo a associação, é importante destacar as vítimas oriundas dos países africanos (3,4 por cento) e americanos (3,3 por cento).

    Já os autores dos crimes, os dados revelam que em 87 por cento das situações os agressores são do sexo masculino e em 95 por cento dos casos conhecidos da vítima.

    Existe contudo 13 por cento de casos de mulheres agressoras, o que a APAV regista como uma dado a não descurar.

    A faixa etária predominante, relativamente ao autor do crime, situa-se entre os 36 e os 45 anos de idade (17,8%) e mais de metade pertencem ao estado civil de casados.

    No que diz respeito à nacionalidade do autor do crime, o continente europeu destaca-se claramente, tendo em conta as cerca de 70% de situações em que o autor do crime é de nacionalidade portuguesa e em 8,4 por cento dos casos tinha o ensino superior.

    Entre o autor do crime e a vítima, são as relações de maior proximidade que se destacam face às restantes, uma vez que mais de metade das situações relatadas dizem respeito a crimes praticados contra o cônjuge/companheiro.

    A APAV, organização sem fins lucrativos e de voluntariado, apoia de forma individualizada as vítimas, através da prestação de serviços gratuitos e confidenciais, tendo como objectivo último promover e contribuir para a informação, protecção e apoio aos cidadãos vítimas de infracções penais.

    Entre 1990 e 2007, a associação registou um total de 138.526 crimes, através de 73.289 processos de apoio.

    Tendo em conta que por cada processo iniciado (em cada uma das Unidades orgânicas da Associação) existia, na maior parte das situações, mais do que uma vítima, a APAV terá apoiado um universo estimado de 150.000 pessoas em 17 anos.

    Actualmente, a APAV dispõe de uma rede nacional de 15 Gabinetes de Apoio à Vítima (GAV), presentes nos distritos e região autónoma dos Açores, Casas de Abrigo para mulheres e crianças vítimas de violência e uma Unidade de Apoio à Vítima Imigrante e de Discriminação Racial ou Étnica (UAVIDRE) localizada em Lisboa.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.