Presidenciais2026

PSD sem indicação de voto na segunda volta

O PSD não emitirá nenhuma indicação de voto na segunda volta das eleições presidenciais, anunciou Luís Montenegro, considerando que nem António José Seguro nem André Ventura representam o espaço do seu partido



"Não emitiremos nenhuma indicação, nem é suposto fazê-lo", declarou o presidente do PSD e primeiro-ministro aos jornalistas, na sede nacional deste partido, em Lisboa, depois de uma reunião da Comissão Permanente Nacional, o órgão partidário mais restrito de direção.

Sobre o candidato apoiado pelo PSD, Luís Marques Mendes – que nesta altura, segundo os resultados provisórios, tinha cerca de 12% dos votos –, Luís Montenegro disse que se apresentou nestas eleições de "forma particularmente empenhada e honrosa" e aceitou "democraticamente o veredicto e a escolha dos portugueses".

O chefe do Governo PSD/CDS-PP considerou que o espaço do seu partido "não estará representado" numa segunda volta entre António José Seguro, ex-secretário-geral do PS, e André Ventura, presidente do Chega.

"Nós aceitamos essa escolha com humildade democrática. O PSD, portanto, não estará também envolvido na campanha eleitoral", afirmou Luís Montenegro, acrescentando que o seu partido "foi escolhido para governar o país e é isso que fará nas próximas três semanas, como de resto nos próximos anos".

O presidente do PSD começou por saudar os portugueses pela participação nas eleições e depois, em nome do seu partido, felicitou "todos os candidatos", em particular os que vão disputar uma segunda volta.

Luís Montenegro descreveu o ex-secretário-geral do PS, António José Seguro, como "o candidato que representa o espaço político à esquerda do PSD" e o presidente do Chega, André Ventura, como "o candidato que representa o espaço político à direita do PSD".

"Exatamente na decorrência daquilo que estou a dizer, a conclusão que o PSD tira desta eleição é que o seu espaço político não estará representado nesta segunda volta, em virtude do resultado obtido pelo candidato que apoiámos e pela circunstância de o nosso espaço político ter tido uma divisão de votos que não ocorreu nos dois espaços que mencionei", acrescentou.

Por outro lado, assinalou as vitórias do seu partido em eleições legislativas, regionais e autárquicas: "O PSD estará a governar Portugal, estará a governar as regiões autónomas, estará a governar a maioria das câmaras municipais, no decurso de uma escolha legítima, livre, democrática dos portugueses".

"O PSD não estará envolvido na campanha presidencial, também no decurso de uma escolha legítima, democrática e livre dos portugueses. Aceitamo-lo com tranquilidade, com tolerância democrática. Evidentemente que não ficámos satisfeitos, mas aceitamos aquela que é a escolha legítima, livre e democrática", concluiu.

No fim da sua declaração, Luís Montenegro respondeu apenas a uma pergunta da comunicação social, sobre a opção de apoio a Marques Mendes, e a seguir escusou-se a responder se o princípio que definiu para a governação de "não é não" em relação ao Chega não se aplica em presidenciais.

Antes de se retirar, o presidente do PSD avisou: "Não vale a pena andarem com jogos políticos e aqueles que estão muito interessados em promover questões nas próximas três semanas podem fazê-lo, são naturalmente também livres de o fazer, mas não vão encontrar uma resposta diferente desta".

Luís Montenegro desejou "um bom trabalho" aos jornalistas que tentavam questioná-lo e fez votos para que "nas próximas semanas o debate continue a ser um debate elevado, esclarecedor e os portugueses possam participar igualmente com muita taxa de participação" na segunda volta.

Quando o presidente do PSD falou, os dados provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração colocavam António José Seguro em primeiro e André Ventura em segundo, seguidos de João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo, com Marques Mendes em quinto lugar nas eleições presidenciais de hoje.


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