PSD diz que orçamento é "confissão de impotência"


 

Lusa / AO online   Economia   12 de Out de 2007, 17:24

O deputado do PSD Mário Patinha Antão classificou hoje a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2008 como uma "confissão de impotência", mas remeteu o anúncio do sentido de voto social-democrata para o líder, Luís Filipe Menezes.
    "O Orçamento para 2008 é uma confissão de impotência (…) Infelizmente para os portugueses, o resultado prático nas suas vidas será mais dificuldades nos seus orçamentos familiares e mais dificuldades para quem está desempregado arranjar emprego", lamentou Patinha Antão, em declarações aos jornalistas no Parlamento.

    Questionado se o PSD vai votar contra este orçamento, o presidente da comissão parlamentar de Orçamento e Finanças remeteu a pergunta para o novo líder do PSD.

    "Essa questão deve ser respondida pelo líder do PSD. Se essa questão lhe for colocada em Congresso, terá uma resposta clara e inequívoca", garantiu.

    O PSD inicia hoje o Congresso que irá consagrar Luís Filipe Menezes como novo líder do PSD, que derrotou Marques Mendes em eleições directas.

    O deputado social-democrata salientou que "a consolidação orçamental não muda na sua estrutura" e que os resultados neste capítulo serão até inferiores aos apresentados em 2007.

    "Em 2008, os portugueses podem ter a certeza que vai continuar a aumentar a carga fiscal mas o contributo da redução da despesa desacelera", lamentou.

    Por outro lado, o PSD registou como "um factor inusitado" a revisão em baixa do crescimento económico - de 2,4 para 2,2 por cento - e lamentou a "insensibilidade" do Governo em relação ao desemprego.

    "Infelizmente para os portugueses, a taxa de desemprego em 2008 vai ser a maior da União Europeia", sublinhou Patinha Antão.

    Quanto ao investimento público, o PSD considerou o seu crescimento "muito modesto".

    "Se somarmos a isto que o QREN (quadro comunitário de apoio) está obviamente atrasado, vai passar praticamente um ano em que as empresas portuguesas não têm um conjunto de apoios", acentuou Patinha Antão, considerando que os apoios previstos para as Pequenas e Médias Empresas são de "muito pouca importância".

    O PSD lamenta ainda que o Orçamento passe "perfeitamente ao lado" dos apelos do Presidente da República contra a resignação.

    "Este Governo conforma-se e resigna-se quando devia colocar Portugal a crescer. É um orçamento de desilusão e uma confissão de impotência", resumiu.

    O Governo apresentou hoje a proposta de Orçamento do Estado (OE) para 2008, onde revê em baixa o crescimento da economia no próximo ano, para 2,2 por cento, valor que representa, no entanto, o regresso ao processo de convergência com a Europa.

    A aceleração do crescimento económico de 0,4 pontos percentuais será suportada pelo aumento das exportações, que crescerão 6,7 por cento, e pelo investimento, que quadruplicará a taxa de crescimento, face aos valores estimados para 2007, atingindo 4 por cento.

    A justificar a revisão em baixa do Produto Interno Bruto (PIB) está a revisão do consumo privado (de 2,0 para 1,4 por cento) e o corte ligeiro na previsão das exportações (revisão de 0,1 pontos para 6,7 por cento).

    A previsão de crescimento do PIB para 2007 não foi alterada, mantendo-se em 1,8 por cento.

    Ao nível do consumo público, espera-se uma queda de 1,1 por cento em 2008, com o Estado a contrair ainda mais os seus gastos (em 2007 esse consumo deve baixar 0,4 por cento).

    As importações, que limitam o crescimento, devem expandir-se em 3,9 por cento no próximo ano, próximas dos 3,8 por cento esperados para 2007.

    O contributo da procura interna (consumo e investimento) para o PIB aumenta em 2008, segundo o Executivo, a beneficiar do investimento, que crescerá 4,0 por cento.

    Ao nível dos preços, o Governo reviu em alta a previsão de taxa de inflação para 2007, para os 2,3 por cento, esperando depois uma descida para os 2,1 por cento em 2008.

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