PS/Açores alerta para impactos da quebra no turismo e pede implementação do fundo de rotas

O presidente do PS/Açores alertou para o impacto da quebra no turismo na economia regional e apelou ao Governo Regional para implementar rapidamente o Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas, já publicado em Diário da República



“Este é um dos setores de ponta da região, um pilar da economia regional. Quando temos menos turistas, a economia sofre. Sofrem os hotéis, os alojamentos locais, sofre a restauração e sofrem todos aqueles que fazem parte da conta satélite do turismo. Isso pode ter impactos a prazo na economia regional, no emprego e nas remunerações”, afirmou Francisco César aos jornalistas.

O também deputado socialista na Assembleia da República falava após uma reunião em Ponta Delgada com a Visit Azores, associação responsável pela promoção turística da região.

Francisco César defendeu que o PS/Açores está a “tentar resolver o problema”, lembrando a proposta do partido para a criação de um fundo para a captação de rotas aéreas, aprovada na Assembleia Regional a 20 de maio.

“A proposta do PS faz todo o sentido e é necessária que rapidamente entre em funcionamento. Nós fizemos o nosso papel. O máximo que podemos fazer como partido da oposição é apontar o caminho, aprovar a legislação e depois depositar no Governo [Regional] ou na Visit Azores a sua capacidade de concretizar”, disse.

 O Decreto Legislativo Regional que cria o Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores (FDRAA) foi publicado a 18 de junho em Diário da República, estabelecendo um novo instrumento para apoiar o arranque de novas rotas aéreas diretas para a região.

"O PS, mais do que um partido de oposição, é um partido de construção”, afirmou o socialista.

Francisco César defendeu a necessidade de reforçar a promoção turística e de garantir acessibilidades, acusando o Governo dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM) de “já ter deixado a Ryanair ir embora”.

“Temos problemas no setor do turismo que poderá afetar a economia regional. Tudo o que fizermos agora, provavelmente, só terá repercussões daqui a um ou dois anos e o papel que o PS teve ao aprovar o fundo de captação de rotas é fundamental. Resta ao Governo [Regional] pôr isso em prática”.

Questionado sobre a nova liderança da Visit Azores, já que Nuno Leandro assumiu a presidência da associação em maio, Francisco César considerou que o turismo deve ser uma “indústria reprodutiva e não extrativa”.

“Quem vier com verdades absolutas não vai correr bem. Queremos que cada turista que cá venha deixe mais. Mas nós temos uma capacidade instalada. Queremos é ter o maior número de turistas que deixem cada vez mais riqueza. O turismo nos Açores só funcionará se deixar retorno”, reforçou.

Os Açores registaram, pelo oitavo mês consecutivo, uma descida no número de dormidas em alojamentos turísticos, em maio, com uma quebra de 2,2% face ao período homólogo, segundo dados revelados a 30 de junho pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).

Nos primeiros cinco meses do 2026, os Açores somaram 1,3 milhões de dormidas em alojamentos turísticos, o que representou uma diminuição de 5,6% face ao período homólogo.

Perante os dados, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) reiterou “profunda preocupação” com a quebra no turismo, pedindo uma “mudança de rumo” e uma “estratégia mobilizadora”.


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