Estudantes procuram cada vez mais apoio psicológico na UAc

Muitos estudantes chegam à Universidade com problemas de ansiedade, solidão e depressão que começaram ainda no ensino secundário. A maior procura por apoio psicológico após a pandemia levou a UAc a reforçar o apoio e a criar o Gabinete de Saúde e Bem-Estar



A procura por apoio psicológico aumentou na Universidade dos Açores (UAc) nos anos que se seguiram à pandemia da Covid-19. O crescimento dos pedidos de acompanhamento levou a instituição a reforçar a resposta na área da saúde mental, através da contratação de novos profissionais, da colaboração com entidades externas e da criação de uma estrutura dedicada ao bem-estar da comunidade académica. 

Em declarações ao Açoriano Oriental, o vice-reitor da Universidade dos Açores para os Estudantes, Bem-Estar e Comunicação Institucional, Adolfo Fialho, salienta que muitos estudantes chegam ao ensino superior já com dificuldades emocionais que começaram a manifestar-se durante o ensino secundário, como solidão, ansiedade e depressão. 

Ao mesmo tempo, o vice-reitor reconhece que os jovens têm hoje maior literacia em saúde mental. Reconhecem mais facilmente sinais de ansiedade, stress ou sofrimento psicológico e estão mais informados sobre a importância de procurar ajuda.

Pandemia aumentou necessidade de resposta

A pandemia de Covid-19 teve consequências na saúde física, emocional e psicológica dos estudantes e contribuiu para tornar mais evidentes as necessidades de apoio nesta área. Nos anos seguintes, a Universidade dos Açores registou um aumento significativo da procura pelos serviços de psicologia.

O relatório dos últimos quatro anos da instituição afirma que “o aumento expressivo da procura de apoio psicológico registado nos anos subsequentes à pandemia exigiu uma resposta institucional robusta”.

Perante esta realidade, a universidade procurou reforçar os recursos disponíveis e garantir uma resposta mais adequada às necessidades da comunidade estudantil. Foram mantidos protocolos com entidades externas especializadas e obtido financiamento da Direção-Geral do Ensino Superior para projetos relacionados com a promoção da saúde mental e do sucesso académico.

Mais profissionais e consultas disponíveis

Uma das medidas adotadas foi o reforço da equipa de psicologia no polo de Ponta Delgada, com a contratação de dois novos profissionais. O objetivo foi aumentar a capacidade de acompanhamento e dar resposta ao crescimento da procura por consultas.

A resposta foi também alargada aos estudantes do polo de Angra do Heroísmo, através da realização de consultas online. Segundo o relatório, a combinação entre os recursos internos e os protocolos com entidades externas permitiu aumentar a capacidade de resposta, reduzir os tempos de espera e oferecer um acompanhamento mais próximo dos estudantes.

Gabinete de Saúde e Bem-Estar reúne várias áreas

A principal novidade na resposta da Universidade dos Açores foi a criação do Gabinete de Saúde e Bem-Estar. A estrutura reúne serviços de medicina, psicologia, psiquiatria e nutrição, permitindo uma abordagem mais integrada às necessidades dos estudantes.

A criação do gabinete pretende consolidar a saúde e o bem-estar como áreas estratégicas da instituição. O objetivo não passa apenas por responder a situações de crise, mas também por apostar na prevenção e no acompanhamento dos estudantes.

A universidade afirma que pretende promover “uma cultura de prevenção, proximidade e acompanhamento”, reconhecendo que o bem-estar é fundamental para a integração e o sucesso académico.

Criados dois programas

A estratégia da UAc não se limitou à criação de respostas na área da saúde. A instituição desenvolveu também iniciativas destinadas a reforçar a participação e o envolvimento dos estudantes na vida académica.

Entre essas medidas está o Programa FRA – Futuro, Responsabilidade e Ação, um modelo de orçamento participativo que permite aos estudantes apresentar propostas para melhorar a vida académica. Na primeira edição foram apresentadas dez candidaturas e três projetos receberam financiamento.

Foi também criado o Programa MOVE – Voluntariado Estudantil da Universidade dos Açores, destinado a promover a participação dos estudantes em atividades sociais, culturais, científicas, ambientais e comunitárias. O programa, que será lançado oficialmente no ano letivo 2026/27 e que já contou com experiências-piloto, pretende valorizar o envolvimento dos estudantes e as competências adquiridas através do voluntariado.

A adesão à Rede de Voluntariado no Ensino Superior e a participação no último encontro promovido pela estrutura reforçaram o envolvimento da UAc nesta área. Como reconhecimento desse trabalho, a universidade acolherá o Encontro Nacional da Rede, em novembro de 2026.

O relatório destaca ainda o contacto regular com associações académicas, núcleos de estudantes, tunas, alunos e diferentes serviços da instituição que permitiu identificar estas necessidades e ajustar respostas. Para a UAc, este diálogo contribuiu ainda para reforçar a confiança entre os estudantes e os órgãos de governo da universidade, promovendo uma cultura institucional assente na participação e na corresponsabilização. 

Com isto, nos dias 21 e 22 de setembro, realiza-se o I Encontro Insular de Saúde Mental no Ensino Superior na Universidade dos Açores, no anfiteatro IX, onde serão explorados diversos temas como a saúde mental nas universidades insulares, a transição da saúde mental para o ensino superior e o mercado de trabalho.

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