Banco de Portugal

Próximo governador deve vir reforçar supervisão

O próximo governador do Banco de Portugal (BdP) deverá ser alguém corajoso, para reforçar os poderes de supervisão do banco central, consideraram diversos especialistas à agência Lusa, realçando a necessidade de ser alguém perto do fim da vida activa.


A pouco mais de um ano de terminar o mandato de Vítor Constâncio à frente do BdP, e depois de Portugal o ter proposto para a vice-presidência do Banco Central Europeu (BCE), o consenso dos economistas é que o próximo governador deverá ser também alguém com experiência de banca.

"Com o BCE com a política monetária, a grande e nobre tarefa que fica ao BdP é a supervisão prudencial. O governador tem que ser alguém que saiba como funciona a indústria e, até, que saiba como se fazem as trapaças", disse o economista João Duque.

Com a regulação prudencial a ganhar mais força, João Duque defende para o lugar de Constâncio uma personalidade que também conheça a fundo o sector dos seguros e dos mercados de capitais, "com boa formação técnica, politicamente isento e sem ligações aos partidos". Pela independência, o economista sugere o presidente do Tribunal de Contas, Oliveira Martins.

António Nogueira Leite, ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças, destaca também a importância da independência do próximo governador do BdP, defendendo alguém "absolutamente acima de qualquer suspeita, como Constâncio, (…) capaz de tratar da regulação do sistema financeiro, e da regulação bancária, de uma forma assertiva e profissional".

"Constâncio estava mais virado para a macroeconomia. O novo governador deve ser alguém atento às questões da supervisão prudencial", acrescentou, frisando ainda a importância de ter à frente do BdP alguém "com capacidade de decisão. Não deve ser só alguém que pense bem sobre a economia. Acho perigoso que seja alguém com um perfil contemplativo".

Para além das "qualidades óbvias de coragem e probidade", Luís Campos e Cunha, antigo ministro das Finanças, destacou como características essenciais do novo governador que este seja "uma personalidade de reconhecida capacidade técnica, um macroeconomista de preferência, e com independência de pensamento."

"Tem de ser alguém que saiba bastante de política monetária, mas há um aspecto importante, que é o da supervisão, e aí o BdP tem algumas debilidades", considerou José da Silva Lopes, outro antigo ministro das Finanças e antigo governador do BdP.

O próximo nome deverá ser de alguém com coragem e autoridade para fazer frente aos banqueiros, que "são gente com um poder enorme", acrescentou.

João Duque e Nogueira Leite disseram ainda ser importante que o próximo governador tenha uma idade próxima da reforma, para que, disse João Duque, possa "calçar as pantufas" quando acabar o mandato, e desempenhar o cargo com a independência de quem não pensa voltar à vida activa.

O mandato de oito anos do grego Lucas Papademos na vice-presidência do BCE termina em Maio de 2010. Para além de Constâncio, são candidatos ao cargo o luxemburguês Yves Mersch e o belga Peter Praet.

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