Açoriano Oriental
Proposta do Orçamento do Estado está "muito longe" de responder às expectativas dos trabalhadores

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, disse hoje que a proposta do Orçamento do Estado para 2018 (OE2018) está "muito longe" de corresponder às expectativas dos trabalhadores, admitindo "algumas evoluções".

Proposta do Orçamento do Estado está "muito longe" de responder às expectativas dos trabalhadores

Autor: Lusa/AO online


As declarações do secretário-geral da intersindical, Arménio Carlos, foram feitas em conferência de imprensa na sede da CGTP, após a reunião da comissão executiva que analisou a proposta do OE2018.

"A proposta identifica algumas evoluções, mas está muito longe de corresponder às expectativas e necessidades dos trabalhadores e das populações no que concerne aos salários, às carreiras, à política fiscal, à proteção social e aos serviços públicos", afirmou Arménio Carlos.

O líder da CGTP disse ainda que "depois dos trágicos acontecimentos que vitimaram mais de 100 pessoas com a devastação dos incêndios", em junho e em outubro, a intersindical entendeu que o Governo deve introduzir "de imediato" um reforço de verbas para prestar ajuda às populações, às empresas e aos trabalhadores.

Arménio Carlos voltou a dizer que o OE2018 "tem de romper com o tratado orçamental e com o défice" e avançar com soluções para "os problemas de fundo" como a atualização dos salários no Estado ou as progressões na carreira para todos os trabalhadores.

Nesse sentido, lembrou que a Frente Comum da Administração Pública tem marcada uma greve para a próxima sexta-feira e que sindicatos não filiados na intersindical já aderiram ao protesto.

Arménio Carlos anunciou ainda que esta semana vai pedir reuniões aos grupos parlamentares para apresentar as propostas da CGTP a incluir no OE2018 que vão no sentido de reduzir a "despesa supérflua e arrecadar mais verbas em impostos".

Entre as propostas está a renegociação da dívida que, segundo a CGTP, libertaria parte dos 7 mil milhões de euros em juros pagos ao exterior, e a renegociação das Parcerias Público-Privadas (PPP).

A intersindical defende ainda a introdução de uma taxa de 0,25% sobre as transações financeiras, que terá uma receita potencial superior a 1,1 milhões de euros, e "a incidência do IRC nos lucros efetivos gerados pelas empresas".

Questionado sobre o aumento do salário mínimo, Arménio Carlos reafirmou que a CGTP vai exigir 600 euros a partir de janeiro de 2018, sublinhando que "este é o momento certo para o Governo assumir que pode ir mais longe".


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