Primeiro Encontro para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial acontece em 2019


 

Lusa/Ao online   Nacional   22 de Dez de 2018, 03:53

A realização do 1.º Encontro Nacional para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, a realizar no próximo ano, é um dos objetivos da direção da associação do setor, eleita na quinta-feira à noite, em Lisboa, foi divulgado esta sexta feira.

O antropólogo Luís Marques foi reeleito como presidente, sendo acompanhado na direção, no triénio 2019-2021, pelos também antropólogos Eugénia de Jesus Correia e A. Vermelho Corral, pela investigadora de literatura oral tradicional Ana Morão e pelos pós-graduados em Património Cultural Imaterial Maria Eugénia de Sousa, Anabela Cardoso e Fernando Motta.

Além do primeiro Encontro Nacional para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, a realizar em 2019, depois dos diferentes encontros regionais sobre esta matéria, organizados este ano pela associação, está também prevista a realização daquele que será o primeiro Congresso do Património Cultural Imaterial Lusófono.

A palavra de ordem de novo programa, segundo a Associação Portuguesa para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial (APSPCI), é “dar continuidade ao trabalho desenvolvido nos anos anteriores”.

A APSPCI, em outubro último, afirmou esperar que a ministra da Cultura, Graça Fonseca, viesse a contribuir “para alterar significativamente o lamentável panorama existente" quanto "à política de salvaguarda e valorização" deste património.

"A ação ministerial que tem vigorado não é a que mais considera ou aprecia o Património Cultural Imaterial Português, pois tem prosseguido uma política dissentida das expressões culturais imateriais tradicionais", disse à agência Lusa o presidente da APSPCI, Luís Marques, referindo hoje que “a situação não se alterou”.

Luís Marques alertou para a necessidade de “uma alternativa clara à atual situação”, um “quase exangue serviço público, que neste domínio tem sido prestado, assentando quase exclusivamente no ‘matrizPCI’, um dispositivo ‘online’” disponível no ‘site’ da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), que considerou “mais conforme, unicamente, com a ‘cultura imaterial de gabinete’”, e que mereceu críticas, recentemente por não estar a funcionar, situação confirmada à Lusa a DGPC.

O alerta da inoperacionalidade da plataforma foi dado à Lusa no passado dia 26 de novembro, pela candidatura do bombo a Património Cultural Imaterial que “está pronta”, mas tropeçou em problemas técnicos com a plataforma digital.

Na ocasião, a DGPC reconheceu que a plataforma tinha tido problemas e adiantou que estava “em fase de validação um novo ‘site’” que estaria “disponível antes do final do ano” e no qual seriam “repostas todas as suas funcionalidades”.

À Lusa, Luís Marques realçou o facto de Portugal contar “já com sete manifestações culturais, imateriais, reconhecidas pela UNESCO [Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura], como Património Cultural Imaterial da Humanidade", nomeadamente Fado, Dieta Mediterrânica, Cante Alentejano, Arte Chocalheira, Olaria Negra de Bisalhães, Falcoaria e os Bonecos de Estremoz.

"Não esqueçamos que, a partir da entrada em vigor da Convenção da UNESCO no nosso país, em agosto de 2008, Portugal ficou comprometido em adotar valorizadoras medidas sistemáticas. Ou seja, uma situação nova que vença a secular apatia, insensatez ou incúria com que o património etnográfico tem sido tratado, particularmente o incorpóreo", acrescentou.

O responsável rematou que “tem faltado, decididamente, uma política assente numa conceção cultural integradora, que compreenda sem subalternidade ou supremacia a cultura material e imaterial".



Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.