Açoriano Oriental
Presidente do Conselho Global de Turismo Sustentável diz que Açores não precisam limitar turistas

O presidente do Conselho Global de Turismo Sustentável, Luigi Cabrini, considerou que os Açores ainda não têm pressão turística exagerada e defendeu que mais importante do que limitar o número de turistas é ter uma política concertada.

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Foto: Rui Jorge Cabral/AO
Autor: Lusa/AO Online

“Não é preciso fixar o número de turistas que uma região quer, mas se está a promover, por exemplo, observação de aves, quer que os participantes desfrutem dessa atividade e quer criar condições para uma visita de qualidade. Na minha opinião, não há um problema de limitação de turistas neste momento nos Açores, é um problema que outros destinos estão a sofrer”, adiantou.

Luigi Cabrini falava, em declarações aos jornalistas, à margem do congresso anual do Global Sustainable Tourism Council [Conselho Global de Turismo Sustentável], organismo internacional de acreditação para a certificação de turismo sustentável, que reúne cerca de três centenas de participantes de 42 nacionalidades em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores.

Na abertura do congresso, o presidente do organismo alertou para os desafios que o crescimento do número de turistas colocam ao desenvolvimento sustentável das regiões, lembrando que já existem 1,4 mil milhões de turistas a viajar todos os anos.

Questionado sobre o caso concreto dos Açores, certificados hoje como destino turístico sustentável, Luigi Cabrini disse que o arquipélago é um exemplo de boas práticas nesta área.

“Os Açores são um exemplo do lado bom do turismo. Temos um destino em que até a promoção do arquipélago é feita tendo em conta o valor real das ilhas, a cultura, o ambiente, as tradições, a forma como prepararam os queijos, etc”, avançou.

Para o responsável do Conselho Global de Turismo Sustentável, o fator mais importante para assegurar a sustentabilidade de um destino turístico é existir uma “estratégia” e que setor público e privado trabalhem em conjunto na sua implementação.

“Não se pode apenas promover o destino, esperar que os turistas venham e lidar com as situações caso a caso. É preciso planear antecipadamente e colocar empenho nos produtos que se quer vender, preservando o destino”, salientou.

O processo, referiu, deve envolver todos os agentes do setor, desde operadores internacionais, companhias áreas, espaços de alojamento e guias turísticos.

Segundo Luigi Cabrini, o certificado atribuído hoje aos Açores é prova de que a região tem respondido ao desafio, mas é preciso que o continue a fazer no futuro.

“O número de turistas vai provavelmente aumentar nos Açores, mas acho que há espaço para esse crescimento. É preciso ter sempre essa gestão em conta para evitar o que aconteceu noutros destinos, em que a qualidade do turismo se deteriorou e em que os residentes estão a sentir que os impactos negativos do turismo são superiores aos benefícios”, alertou.

Também a secretária regional da Energia, Ambiente e Turismo dos Açores, Marta Guerreiro, disse que o arquipélago quer “continuar a crescer em quantidade”, porque tem condições para isso, mas “acima de tudo crescer em qualidade”.

“O turismo só é bom para os Açores se for bom para os açorianos”, sublinhou, alegando que muitos dos critérios da certificação diziam respeito a questões sociais.

Marta Guerreiro considerou que é natural que em algumas zonas do arquipélago com maiores fluxos turísticos a população manifeste preocupação com o impacto do turismo na sua qualidade de vida, mas assegurou que os Açores estão num caminho que permite um crescimento do turismo “sem comprometer o património ambiental”.

“Nós temos na região já em algumas áreas sensíveis limitações. Posso dar vários exemplos: a montanha da ilha do Pico, a Caldeira do Faial, o ilhéu da Praia, na Graciosa, a Caldeira Velha, o ilhéu de Vila Franca [São Miguel]. Essa realidade já existe. Mais importante que estas limitações específicas é a gestão que tem de ser feita de todas as pressões que existem das várias áreas. A nossa preocupação é ir monitorizando e percebendo quando é que determinada área precisa de ter alguma limitação introduzida ou revista”, apontou.


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