Conflito

Presidente da Geórgia pede a Sarkozy para não ceder à "realpolitik"


 

Lusa/AOonline   Internacional   13 de Nov de 2008, 11:07

O presidente da Geórgia, Mikhail Saakachvili, apelou ao presidente francês, Nicolas Sarkozy, para que não ceda à "realpolitik", um dia antes da Cimeira União Europeia-Rússia dedicada à crise financeira e ao conflito no Cáucaso.
"Há elementos de realpolitik muito presentes no mundo de hoje, porque com a crise mundial, as pessoas pensam nos seus próprios problemas", disse Saakachvili numa entrevista à rádio France Inter, à margem da visita que faz hoje a França.

    "Mas temos sempre de manter os nossos princípios", acrescentou, explicando que pretende "exprimir" esta posição no encontro que mantém hoje à tarde com Nicolas Sarkozy, presidente em exercício da UE.

    O Presidente georgiano, que se reuniu com Sarkozy em pleno conflito russo-georgiano, em Agosto, elogiou na entrevista "a intervenção formidável (do chefe de Estado francês) numa altura em que os tanques russos estavam a aproximar-se da capital da Geórgia.

    Na véspera da 22ª Cimeira UE-Rússia, na qual vai ser discutida a aplicação do acordo de cessar-fogo russo-georgiano mediado por Sarkozy, Saakachvili quer assegurar-se de que os europeus não renunciam ao princípio da integridade territorial da Geórgia, depois de a Rússia ter reconhecido a independência das regiões separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul.

    A UE, e concretamente Sarkozy, tem insistido na defesa da integridade territorial da Geórgia, mas decidiu na semana passada relançar as negociações com Moscovo para um novo acordo estratégico de cooperação, suspensas em Setembro devido ao conflito na Geórgia.

    Por outro lado, a UE vai tentar obter na Cimeira de sexta-feira em Nice o apoio da Rússia para a pressão que está a exercer sobre os Estados Unidos para a adopção de medidas rápidas que permitam reformar os organismos reguladores do sistema financeiro.

    Numa primeira reacção à decisão da UE de retomar negociações, com Moscovo a ministra dos Negócios Estrangeiros georgiana, Eka Tkechelachvili, criticou a posição da presidência francesa numa altura em que, disse, "a Rússia viola de maneira flagrante o acordo de cessar-fogo", nomeadamente quanto à retirada das suas forças militares.

    A presidência francesa sustenta que os acordos assinados estão a ser globalmente respeitados, mas também prometeu prosseguir com cautela e pressionar Moscovo a "envolver-se de maneira construtiva" nas negociações sobre a segurança no Caúcaso lançadas a 15 de Novembro em Genebra.

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