Energia

Preços da electricidade serão agravados em 2009

Preços da electricidade serão agravados em 2009

 

Lusa / AO online   Economia   30 de Nov de 2007, 15:37

Os consumidores de electricidade podem contar a partir de 2009 com um agravamento dos preços da electricidade devido ao sobrecusto associado às licenças de emissões de dióxido de carbono (C02) que pode atingir os 66 milhões de euros.
O sector eléctrico foi o mais prejudicado em termos de atribuição de licenças de emissão de C02 no âmbito do Plano Nacional de Atribuição de Licenças de Emissão para 2008-2012 (PNALE II), tendo sofrido um corte de 33 por cento, em 6,9 milhões de toneladas por ano, face ao PNALE I.

O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, já admitiu que o corte efectuado no sector eléctrico pode agravar os preços da electricidade, mas afirmou que essa é uma forma de incentivar os consumidores a uma maior eficiência energética e as empresas a investir mais em energia renovável.

Se as centrais termoeléctricas necessitassem de recorrer ao mercado para comprar licenças de emissão correspondentes ao défice de 6,9 milhões de toneladas de C02, ao preço actual do mercado de futuros (Dezembro de 2008) de 22 euros a tonelada, teriam um encargo adicional de quase 152 milhões de euros por ano.

Porém, segundo fontes do sector, estima-se que esse défice seja apenas de 3 milhões de toneladas por ano, uma vez que se tem de considerar os níveis de produção das centrais térmicas durante o ano, que podem ser maiores ou menores em função da hidraulicidade, e a evolução tecnológica das próprias centrais no sentido de se tornarem mais eficientes e emitirem menos emissões de C02.

Um segundo factor prende-se com o facto da EDP, que detém a maioria das centrais termoeléctricas do país, poder gerir a totalidade das licenças que lhe forem atribuídas, utilizando as licenças de uma central que não as esgote numa outra que ultrapasse a quota que lhe foi atribuída.

O certo é que o custo da compra das licenças de emissão de C02 no mercado será integralmente repercutido na tarifa enquanto custo de energia.

"Estando os custos [de produção de electricidade] associados às emissões de C02 reflectidos nos preços de energia do mercado organizado e integrando esta componente as tarifas pagas, este custo é naturalmente suportado pelos consumidores", afirmou à Lusa fonte oficial da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Também fonte oficial da EDP afirmou à Lusa que o "custo das licenças compradas para cobrir o excesso de emissões face às licenças atribuídas é inteiramente repercutido na tarifa ao abrigo do mecanismo de revisibilidade dos CMEC's, garantindo a neutralidade financeira face ao anterior regime de CAE's".

"Esta repercussão aplica-se para os eventuais déficits de todas as centrais abrangidas pelos CMEC's", acrescentou.

Num cenário mais pessimista, tal como é encarado pela EDP, o sobrecusto com as licenças de emissão de C02 pode ser muito superior aos 66 milhões de euros.

Fonte oficial da EDP afirmou à Lusa que a empresa terá de "comprar em mercado todo o déficit de licenças que a central de Sines tenha".

A central termoeléctrica de Sines sofreu um corte nas licenças de C02 de 1,7 milhões de toneladas do PNALE I para o PNALE II, mas a EDP estima que o défice possa ascender aos 2 milhões de toneladas por ano, o que significa um encargo de 44 milhões de euros anuais se tomarmos como referência os 22 euros por tonelada.

A proposta de atribuição de licenças de emissão para para o período 2008-2012, que coincide com o período do Protocolo de Quioto, sofreu um corte de 8,8 por cento, de um total de 38,16 milhões de toneladas por ano atribuídos no PNALE I, para 34,81 milhões de toneladas anuais propostas para o PNALE II.

O sector eléctrico foi o mais penalizado, com um corte global de 6,9 milhões de toneladas, ou seja, de 33 por cento face ao período 2005-2007.

Fonte oficial da EDP afirmou à Lusa que a capacidade adicional do sector eléctrico em reduzir a as emissões “a curto prazo é inferior à redução nas licenças atribuídas, resultando num esforço assimétrico que penaliza o sector eléctrico face aos restantes”.

Sublinhou ainda que o “sector eléctrico é o sector que mais tem investido e evoluído na redução das emissões”.

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