Saúde

Portugueses compram cada vez menos preservativos

Portugueses compram cada vez menos preservativos

 

Lusa / AO Online   Nacional   18 de Ago de 2008, 08:12

Os portugueses estão a comprar cada vez menos preservativos. Em média, vendem-se mensalmente menos dez mil embalagens do que há quatro anos, uma tendência "assustadora" num país com a segunda mais alta taxa de incidência de Sida da Europa.
    Perante os dados, associações e organismos que se dedicam à prevenção da doença dizem-se preocupados, mas não surpreendidos: atribuem a diminuição à quase ausência de campanhas de sensibilização e à sua ineficácia.

    "As campanhas não estão a funcionar. Diz-se que a Sida está a diminuir, mas todas as semanas chegam-nos novos casos de pessoas infectadas. Entre os heterossexuais a doença está a subir em flecha e de forma assustadora", garante Filomena Frazão, presidente da Fundação Portuguesa Contra a Sida.

    No final do ano passado estavam diagnosticados em Portugal 32.491 casos de infecção, mais 2.125 do que os registados em Dezembro de 2006.

    Apesar de a Coordenação Nacional para a Infecção VIH/Sida alertar para o facto de "a evolução da epidemia ainda não estar estabilizada", os portugueses parecem indiferentes aos riscos associados a relações sexuais desprotegidas, alertam alguns repsonsáveis pela luta contra a doença.

    A compra de preservativos não tem parado de diminuir desde 2004, ano em que se venderam 853.992 embalagens, mais 116.207 do que em 2007, de acordo com dados da consultora IMS Health, divulgados à agência Lusa.

    Em média, eram comercializadas mais de 71 mil caixas de preservativos por mês, mas no ano passado as vendas mensais não foram além das 61 mil embalagens.

    O primeiro semestre de 2008 confirma a tendência: em média, venderam-se 56 mil pacotes por mês, menos cinco mil do que em 2007.

    "Não acredito que tenha havido uma diminuição do número de relações sexuais que justifique a quebra na venda de preservativos. As pessoas confiam demasiadamente e não têm comportamentos de acordo com a informação de que dispõem", criticou Santinho Martins, presidente da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica.

    Também Filomena Frazão considera que o problema não reside apenas na falta de informação, mas no facto de os portugueses "continuarem muito relutantes em mudar os seus comportamentos de risco".

    Já a presidente da Associação Abraço, Margarida Martins, culpa a fraca aposta na prevenção, sobretudo em campanhas direccionadas aos jovens heterossexuais, lembrando que o desconhecimento é tanto que "muitos ainda acham que a Sida se previne com a pílula".

    "Quando devia aumentar o uso de preservativos, a sua utilização está a cair. As pessoas acham que a Sida estabilizou em Portugal, mas não sabem que o país tem a segunda pior taxa de incidência da Europa, a seguir à Ucrânia", lamentou, em declarações à Lusa.

    Metade das mulheres portuguesas confessa por exemplo, ter relações sexuais sem preservativo, segundo o último Inquérito Nacional de Saúde, divulgado no ano passado.

    No primeiro semestre deste ano foram distribuídos gratuitamente mais de 2,3 milhões de preservativos, um número ainda considerado insuficiente, tendo em conta os números da epidemia em Portugal.

    "Tem de aumentar a distribuição gratuita de preservativos. Nas farmácias são extremamente caros e numa altura de crise os portugueses poupam em tudo", alerta a responsável da Fundação Portuguesa Contra a Sida.

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