Portugal sem visão integral para o mar


 

Lusa/AOonline   Nacional   20 de Out de 2007, 11:13

 O antigo ministro das Finanças Ernâni Lopes defende que Portugal precisa de ter uma visão do conjunto do hipercluster do Mar, para não gastar recursos em investimentos fragmentados, nos quais não obtém resultados.
 O economista está a trabalhar num estudo sobre o hipercluster do Mar, projecto que é apoiado e financiado pela Associação Comercial de Lisboa/Câmara de Comércio e Industria Portuguesa (ACL/CCIP) e será entregue ao Governo no próximo ano.

    No domínio das questões do mar, realiza-se também na próxima segunda-feira a Conferência Ministerial sobre Política Marítima para a União Europeia, no âmbito da presidência portuguesa da UE, em Lisboa.

    O objectivo que preside aos trabalhos é o de discutir medidas para uma política marítima integrada na Europa.

    Segundo Ernâni Lopes, numa óptica estratégica, de desenvolvimento e prospectiva, "não faz sentido gastar dinheiro em segmentos do hipercluster do Mar.

    O que o economista diz é que “é preciso tratá-lo no seu conjunto", nomeadamente no que respeita às telecomunicações, estaleiros de construção e reparação naval, portos, transportes marítimos e Marinha de Guerra.

    "É uma nova abordagem do hipercluster do Mar", que caso não seja feita "o mais certo é falhar", pois Portugal "vai arcar com o ónus de uma visão fragmentária. Mais do mesmo não dá!", garante.

    Ernâni Lopes alerta ainda para o facto de Portugal estar a perder terreno permanentemente: "Numa base que, de modo figurado, significa perder um semestre em cada mês".

    Para o economista, a tão falada cultura marítima de Portugal tem vindo a perder-se.

    "A cultura marítima bebe-se como o leite materno e perde-se, consistentemente, pelo desuso", alerta.

    O economista dá como exemplos os ingleses e os holandeses, que "andaram a aprender na borda de água com os portugueses”.

    Actualmente, diz, "os ingleses ganham oceanos de libras", com consultoria, registos, inspecções e peritagens.

    "Portugal também poderia fazê-lo", assegura Ernâni Lopes.

Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.