Crise financeira

Portugal entra em recessão técnica no final de 2008

 Portugal entra em recessão técnica no final de 2008

 

Lusa/AOonline   Economia   3 de Nov de 2008, 18:02

Portugal deverá entrar em recessão técnica no final de 2008, apesar de no conjunto do ano a economia dever crescer 0,5 por cento, de acordo com as previsões de Outono da Comissão Europeia divulgadas em Bruxelas.
Segundo o documento, o PIB português deverá diminuir 0,3 por cento no terceiro trimestre (face ao três meses anteriores) e registar uma nova contracção (0,1 por cento) no quatro trimestre de 2008.

    Recessão técnica é quando uma economia regista variações negativas em cadeia em dois trimestres consecutivos.

    A Comissão Europeia prevê que no final do terceiro trimestre o conjunto da Zona Euro com seis países europeus - Alemanha, Irlanda, França, Itália, Estónia e Letónia - tenham entrado em recessão técnica. No final do quatro trimestre, e além de Portugal, juntam-se a esta lista a Espanha, Lituânia, Hungria, a Suécia e o conjunto dos países da União Europeia 27.

    Para o conjunto de 2008, Bruxelas prevê que só a Irlanda (-1,6 por cento), Estónia (-1,3 por cento) e Letónia (-0,8 por cento) registarão quebras da sua actividade económica.

    Para 2009, as previsões por trimestre da Comissão indicam, no entanto, que Portugal vai conseguir escapar à recessão, ao contrário da Irlanda, Dinamarca, Estónia, Letónia, Lituânia e o Reino Unido. No caso da Lituânia, a quebra do PIB trimestral deverá prolongar-se por 2010.

    Para o conjunto do ano, Portugal deverá registar uma variação de 0,1 por cento, em linha com o conjunto da Zona Euro, Bélgica e Dinamarca, e uma décima abaixo do conjunto da UE/27.

    Com quebras do PIB no final de 2009 deverão estar cinco países: Letónia (-2,7 por cento), Estónia (-1,2), Reino Unido (-1), Irlanda (-0,9) e Espanha (-0,2).

    Três grandes economias europeias - Alemanha, França, e Itália -, a Lituânia e a Suécia deverão estagnar.

    A Holanda, a Áustria e a Hungria vão crescer menos de 1 por cento; o Luxemburgo 1,2 por cento e a Finlândia 1,3 por cento.

    Os países que deverão registar uma actividade económica mais dinâmica em toda a UE serão Malta (2,0), Grécia (2,5 por cento), Chipre e Eslovénia(2,9), República Checa (3,6), Polónia (3,8), Bulgária (4,5), e a Roménia (4,7).

    Como consequência da desaceleração económica generalizada, Bruxelas espera um aumento da taxa de desemprego de mais de um ponto percentual na Zona Euro nos próximos dois anos, de 7,6 por cento em 2008 para 8,7 em 2010, mais dois milhões de pessoas sem emprego.

    Outra consequência será o agravamento dos défices orçamentais. Sete países da UE deverão ultrapassar em 2009 o limite de 3,0 por cento imposto pelo Pacto de Estabilidade e Crescimento dos 27: Irlanda (menos 6,8 por cento do PIB), França (3,5), Lituânia (5,6), Letónia (3,6), Roménia (4,1) e Reino Unido (5,6).

    As Previsões do Outono confirmam os cenários mais pessimistas, com Bruxelas a apontar que "as economias da União Europeia estão a ser bastante afectadas pela crise financeira", o que se vai reflectir no crescimento económico até 2010.

    A crise financeira terá também repercussões a nível do emprego, que deverá apenas "crescer marginalmente" em 2009 e 2010, após os 6 milhões de postos de trabalho criados em 2007-08, e o desemprego deverá aumentar um ponto percentual nos próximos dois anos, atingindo uma taxa de 7,8 por cento na União e 8,4 por cento na Zona Euro em 2009.

    "O horizonte económico escureceu significativamente agora que a economia da União Europeia foi atingida pela crise financeira que se agravou durante o Outono", minando a confiança dos consumidores e empresas, comentou o comissário europeu responsável pelos assuntos económicos, Joaquin Almunia.

    Como ponto positivo, Bruxelas prevê uma redução da inflação, a acompanhar a descida dos preços dos combustíveis, para valores na ordem dos 2 por cento nos próximos dois anos, quer na UE, quer na Zona Euro.

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