Portugal é rápido no ajustamento económico

Portugal é rápido no ajustamento económico

 

Lusa/AO online   Economia   26 de Nov de 2012, 10:16

Portugal está em quinto na tabela do 'think tank' Lisbon Council relativa à rapidez do ajustamento económico, mas cai para o penúltimo lugar da zona euro sobre a saúde da economia, segundo um relatório que defende uma austeridade moderada.

O documento, a que Lusa teve acesso, defende que é preciso "evitar qualquer dose excessiva [overdose] de austeridade", sendo que "nenhum país devia ser obrigado a apertar ainda mais a política orçamental em resposta a défices causados pela recessão" económica, até porque entre as tarefas mais importantes dos países da zona euro está a mudança "do foco das políticas de austeridade adicional para reformas estruturais que promovam o crescimento".

O relatório 'Euro Plus Monitor 2012', com o título "A estrada acidentada para o crescimento equilibrado", analisa os 17 países da zona euro, e conclui que Portugal ocupa o quinto lugar entre os países que estão a fazer um ajustamento mais rápido e significativo para equilibrarem as contas públicas e promoverem o crescimento - Grécia, Irlanda, Estónia e Espanha ocupam as quatro primeiras posições -, mas cai para 15º quando se analisa a saúde geral de cada uma destas economias, só superado pelo Chipre e pela Grécia.

As principais conclusões do estudo anual deste 'think tank' [centro de investigação], que tem também a colaboração do banco Berenberg, a mais antiga casa de investimento alemã, apontam para a necessidade de dosear a austeridade, usando uma analogia médica: "A austeridade é um remédio potente. Tem de ser aplicada na dose correta. A falta do medicamento adequado pode matar um doente, mas o seu excesso também. Como regra geral, estipularíamos que nenhum país devia apertar a sua política orçamental, ou ser forçado a fazê-lo, em mais de 2% do seu PIB em qualquer ano".

Defendendo que a Europa tem de aprender com as lições da Grécia, o estudo, liderado pelo economista-chefe do banco Berenberg, Holger Schmieding, e pelo economista sénior desta entidade Christian Schulz, afirma que "para bem de Espanha e Portugal, a Europa precisa urgentemente de aprender a lição [da Grécia] que os défices orçamentais causados por uma recessão inesperadamente profunda precisam de ser tolerados e não devem desencadear medidas adicionais de austeridade".

O tom geral do relatório que analisa a crise das dívidas soberanas e a sustentabilidade das finanças públicas europeias é positivo, uma vez que “a zona euro avançou consideravelmente na acidentada estrada para um crescimento sustentável no futuro, isto apesar de “este progresso estrutural ter sido largamente apagado pela recessão”.

Ainda assim, "se a zona euro conseguir ultrapassar esta crise grave e manter-se no caminho das reformas, pode acabar por sair da crise como a mais dinâmica das maiores economias ocidentais", prevê o documento de 100 páginas.

Para isso, o Lisbon Council aponta três condições: a Europa deve terminar a discussão sobre uma eventual saída da Grécia da zona euro, garantindo o apoio necessário; os países europeus devem "evitar qualquer ‘overdose’ de austeridade" e devem mudar o foco das políticas, apostando em "reformas estruturais pró-crescimento".


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