Ponta Delgada vai "contagiar jazz" com festival

Ponta Delgada vai "contagiar jazz" com festival

 

Olímpia Granada   Cultura e Social   22 de Out de 2008, 11:41

O X Festival de Jazz de Ponta Delgada começa esta quarta-feira e, durante cinco dias, a produção do Teatro Micaelense e Jazzores promete contagiar a cidade com um cartaz de luxo
“Com este festival, promovemos a cultura, promovemos a Região  em termos de imagem, como que colocamos no ‘mapa’, e a prova é que ‘estamos’ em revistas nacionais e internacionais (da especialidade)”, disse ontem Ana Teixeira da Silva.
Em conferência de imprensa, a directora do Teatro Micaelense, onde decorre o evento, acrescentou que a organização pretende “criar um clima de contágio à volta do jazz e, este ano, regressamos bastante a este propósito”.
E para o conseguir, além de um cartaz de luxo (ler caixas em baixo), a co-produção Teatro Micaelense/Associação Jazzores  promove hoje à noite uma conferência/concerto e, na próxima sexta-feira, um palco “aberto” para que os músicos locais possam “improvisar” com os convidados, abrindo as portas da sala de espectáculos.
Na conversa com os jornalistas, Ana Teixeira da Silva manifestou ainda satisfação pelo facto do público ter vindo a aumentar em número nas últimas edições, em particular público jovem.
“Quer dizer que temos vindo a fazer uma caminhada constante e segura da divulgação do jazz entre nós”, considerou a responsável pelo Teatro Micaelense.
“Não é por acaso”, frisou.
De resto, Carlos Riley da Jazzaçores, lamentou a impressão vulgarizada de que este género musical seja destinado a elites.
Ora uma boa forma de começar a tratar mais “por tu” o jazz, pode ser mesmo ir ouvir esta noite “Uma História do Jazz”.
Quando o Hot Clube de Portugal celebra 60 anos de existência, alguns dos músicos da sua escola, a Luiz Villas-Boas, interpretam no palco do Teatro uma viagem no tempo.
Pode não ficar rendido ao free jazz mas, quem sabe, talvez se renda a algum tema de Louis Armstrong que porventura seja tocado... Afinal, What a Wonderful World (Que Mundo Maravilhoso, canção cantada por Louis Armstrong) é este, o da música. 
E que mundo é o do jazz, é o que vai explicar também hoje à noite Bernardo Moreira.
Tocou contrabaixo, e actuou com alguns dos melhores músicos de jazz do mundo, pertenceu ao Quarteto do Hot Clube - a primeira formação de Jazz portuguesa a tocar num festival de jazz internacional, Comblain La Tour, em Agosto de 1963 e é o maestro deste concerto que toca a vida do Jazz.
Sócio do Hot Club desde os primeiros tempos e seu presidente desde 1992, é ainda o responsável pela cadeira de História do Jazz na escola de jazz Luiz Villas-Boas.
 Sobre o ensaio/seminário que vai permitir a interacção entre músicos na tarde do dia 24, Rui Damião Melo da Jazzores adiantou na mesma conferência de imprensa, que espera ver músicos do Conservatório a aproveitarem a oportunidade.
“Todas as pessoas vão tocar umas com os outras e vai haver uma ligação entre os músicos que vêm de Nova Iorque e os músicos que estão cá,  música improvisada, não escrita”, disse.
O que não é de estranhar. Afinal, se não há consenso à volta do conceito de jazz, um requisito parece no entanto indiscutível: improviso...
Uma novidade também introduzida este ano, tem a ver com o facto da organização ter optado por realizar apenas um espectáculo por dia. Isto porque dois se revelaram cansativos para o público só que, explicou Carlos Riley, a opção “fecha a possibilidade à actuação de mais grupos” principalmente àqueles  “com menos reconhecimento”.
Casa cheia?
Uma chamada de atenção também para a conferência “Jazz now – and its future” com o conceituado autor/crítico norte-americano Howard Mandel.
Quanto a entradas, os espectadores têm duas possibilidades: uma delas é escolher o(s) concerto(s) e adquirir um bilhete por 12.50 euros ou, então, comprar o “pacote” para os cinco dias de Festival por  50 euros. A entrada é gratuita para os portadores do cartão Interjovem (mediante a apresentação do mesmo ).
Carlos Riley comentou que “não se ouve música desta em parte nenhuma do mundo por este dinheiro”, pelo que perguntamos se foi difícil trazer a Ponta Delgada nomes como os que vão actuar.“Não é difícil... é preciso contactos e claro, orçamento. Infelizmente sem dinheiro...”, disse.
Daí, a importância dos patrocinadores institucionais: Governo Regional através das direcções da Cultura, do Turismo e da Juventude e o ANIMA, da Câmara Municipal de Ponta Delgada.


Feira de Discos e exposição sobre o Hot Clube
No foyer do Teatro Micaelense, durante todos os dias do festival e a partir das 21h00, decorre a Feira de Discos com a Trem Azul - Jazz Store, 
uma empresa de referência dedicada ao jazz e à música improvisada.
A exposição de fotografia “Prelúdio para um Museu - 60 Anos do Hot Clube de Portugal” é inaugurada esta noite. O núcleo museológico do Hot Club de Portugal tem vindo, há alguns anos, a ser organizado e classificado, com o objectivo de constituir a base de um centro de documentação, e estar disponível para o público em geral, como parte integrante de um projecto mais ambicioso que é a Casa do Jazz. No âmbito das comemorações dos seus 60 anos, o Hot Club de Portugal decidiu ‘levantar o véu’ e esta exposição reúne documentos, fotografias e cartazes que integram o acervo. Mais do que contar a história do jazz em Portugal, pretende-se chamar a atenção para o património histórico.


“Uma História do Jazz” contada e tocada 
  
Esta quarta-feira, primeira das noites do Festival, às 21h30, é tempo de ouvir “Uma História do  Jazz” contada por Bernardo Moreira, da escola Luiz Villas-Boas, ‘tocada’ pelo Septeto do Hot Clube de Portugal (com João Moreira, trompete, Pedro Moreira, saxofone, Claus  Nymark, trombone, Rodrigo Gonçalves, piano, Bruno Santos, guitarra, Bernardo Moreira,  contrabaixo e  André Sousa Machado, bateria) e cantada por Paula Oliveira.


Lee Konitz, uma lenda viva em palco
“Lenda viva”é como Konitz tem sido apelidado pelos jazzistas. Nuno Catarino disse dele em www.bodyspace.net que “numa altura em que os heróis estão em vias de desaparecimento, são raras as ocasiões que temos de ver os ídolos ao perto”. Actua esta quinta-feira à noite, às 21h30, com o trio Minsarah constituído por jovens senhores do Jazz: Florian Weber, piano,  Ziv Ravitz, bateria, e Jeff Denson, contrabaixo.


Quarteto de Nova Iorque partilha palco
 
Às 16h00 do próximo dia 24 está marcado o Ensaio/Seminário “People, Let’s People”, aberto ao público e a quem queira tocar com os músicos vindos de Nova Iorque (ler artigo principal). Mas à noite, uma vez mais às 21h30, só sobe mesmo a palco o quarteto de Demian Richardson (trompete), John Blum (piano), Federico Ughi (bateria) e  um “mestre” do improviso, Daniel Carter (saxofone alto/tenor, flauta, trompete e clarinete).


Conferência e Marty Ehrlich Rites Quartet
No próximo sábado, às 16h00, tem lugar a conferência “Jazz Now - And Its Future” por Howard Mandel,  jornalista, crítico e ensaísta norte-americano. E às 21h30, o quarteto The Marty Ehrlich Rites Quartet, liderado, precisamente, pelo músico e compositor premiado Marty Ehrlich (saxofone e clarinete) e que integra James Zollar (trompete), Erik Friedlander (violoncelo), e Pheeroan aKlaff (bateria).


Festival encerra a solo com Joachim Kühn

Domingo, último dia do Festival, Joachim Kühn actua a solo no Teatro Micaelense, às 21h30. Assim, em palco apenas vão estar o piano e o músico. Um alemão que fez do mundo a sua casa e da universalidade da música  uma partitura composta por todos os seus estilos e influências.  Em determinada fase da carreira, o Le Monde chamou-lhe “a mais interessante ligação entre o jazz e o rock na Europa”.

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