PM italiana não acredita em intervenção militar dos EUA na Gronelândia

A primeira-ministra italiana disse não acreditar numa intervenção militar dos Estados Unidos na Gronelândia, “com a qual não concordaria”, considerando que Washington está apenas a tentar dissuadir interferências de outros atores estrangeiros



“Não acredito na possibilidade de os Estados Unidos iniciarem uma ação militar na Gronelândia, com a qual não concordaria e que não seria vantajosa para ninguém”, afirmou Giorgia Meloni numa conferência de imprensa em Roma.

A governante italiana acrescentou que a hipótese “foi descartada” pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e pelo Presidente dos EUA, Donald Trump.

Na tradicional conferência de imprensa de Ano Novo, ao ser questionada sobre a ambição assumida pela administração Trump de controlar a Gronelândia, invocando razões de segurança nacional, Giorgia Meloni disse acreditar que o Presidente norte-americano está apenas a tentar passar uma mensagem.

“Acredito que a administração Trump, com os seus métodos muito assertivos, está a chamar a atenção para a importância estratégica da Gronelândia para os seus interesses e para a sua segurança. É uma área onde atuam muitos atores estrangeiros e acredito que a mensagem dos Estados Unidos é que não aceitarão interferências excessivas de atores estrangeiros”, designadamente a Rússia e a China, declarou.

As ambições de Trump em relação à Gronelândia têm sido reiteradas desde que regressou à Casa Branca, com o Presidente norte-americano a invocar razões de segurança nacional, nomeadamente a presença de navios chineses e russos na região, para defender um maior controlo da ilha sob soberania da Dinamarca, aliado da NATO, e onde os EUA mantêm uma base militar.

Giorgia Meloni acrescentou que, ainda este mês, o ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro italiano, Antonio Tajani, "apresentará uma estratégia italiana para o Ártico", pois Roma também tem consciência "da importância estratégica da região" da Gronelândia.

“Preservar a Gronelândia como zona de paz e cooperação, contribuir para a segurança da região, ajudar as empresas italianas que desejam investir e promover a investigação. Espero que possamos responder, juntamente com os aliados atlânticos, às ingerências de outros países na região”, disse a chefe de governo italiana, ideológica e pessoalmente próxima de Trump.

Relativamente a outras questões de política externa, como a situação na Venezuela após a intervenção dos Estados Unidos e a captura do Presidente, Nicolás Maduro, considerou que a libertação de presos políticos, entre os quais dois cidadãos italianos, é “um sinal de grande valor, que vai no sentido da pacificação do país”, dado pela Presidente interina, Delcy Rodríguez.

Quanto à guerra na Ucrânia, a governante italiana disse concordar com o Presidente francês, Emmanuel Macron, e defendeu que a UE deve conversar com a Rússia.

"Acho que Macron está certo. Acho que chegou a hora da UE conversar com a Rússia. Se a Europa decidir conversar apenas com um dos dois lados em campo, temo que a contribuição que possa dar seja limitada. O problema é quem o deve fazer", disse.

"Se cometermos o erro de reabrir as negociações com a Rússia e procedermos de forma descoordenada, estaremos a fazer um favor a [Presidente russo, Vladimir] Putin, e a última coisa que quero fazer na vida é um favor a Putin”, salientou, referindo ser favorável à "nomeação de um enviado especial da UE para a Ucrânia".

Esta conferência de imprensa, realizada na Câmara dos Deputados, marca o arranque de um ano que pode ser histórico para o executivo liderado por Giorgia Meloni, que, em setembro, pode tornar-se no governo com maior longevidade da República italiana, onde um governo está, em média, 13 meses no poder.

Em funções desde outubro de 2022, o Governo formado pelos Irmãos de Itália de Meloni (partido pós-fascista), pela Liga, de Matteo Salvini (extrema-direita) e pela Força Itália, liderada por Antonio Tajani (centro-direita), vai superar dentro de nove meses, salvo alguma surpresa, o recorde de longevidade detido por um dos executivos liderados pelo magnata Sílvio Berlusconi (falecido em 2023).

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