Pescas podiam gerar mais 2,1 mil ME por ano se "stocks" recuperassem

Pescas podiam gerar mais 2,1 mil ME por ano se "stocks" recuperassem

 

Lusa/AO online   Economia   16 de Out de 2012, 09:58

As receitas da pesca na Europa podiam aumentar em 2,1 mil milhões de euros anuais, dentro de 10 anos, se as políticas da União Europeia fossem alteradas, para uma forma sustentável, segundo um estudo da WWF.

"Se os políticos votarem a favor de uma forte reforma das pescas na UE, e com a adequada implementação, que permita recuperar os stocks em 10 anos, começaremos a ver grandes benefícios", refere um comunicado da organização internacional de conservação da natureza World Wild Fund (WWF).

De acordo o estudo "Benefícios socioeconómicos duma corajosa reforma das pescas na UE", encomendado pela WWF, "ajudar os 'stocks' de peixe a voltarem para níveis saudáveis e sustentáveis, vai resultar num aumento dos lucros do setor pesqueiro e no rendimento dos pescadores".

A pesquisa examina os potenciais benefícios sociais e económicos do setor das pescas, e aponta argumentos para "uma ambiciosa reforma" das pescas europeias, atualmente em revisão.

A WWF salienta que os pescadores da UE poderiam capturar mais 2,8 milhões de toneladas de peixe de uma forma sustentável e gerar receitas extras de 2,1 mil milhões de euros por ano, um acréscimo de cerca de 80%.

As receitas dos pescadores poderiam subir até 50%, em média, relativamente aos valores obtidos atualmente, acrescentou.

Ao contrário, se nada for alterado, em 2022, os pescadores da UE irão capturar menos 1,4 milhões de toneladas de peixe (10%), as frotas pesqueiras poderão diminuir até 20% e 50 mil pescadores perderão os seus empregos, o que corresponde a uma quebra de 30% relativamente a 2009, salienta a organização.

Apesar de, em 2012, terem sido observados "sinais positivos nos 'stocks' e nos lucros", nos últimos 15 anos, as pescas, na UE, "têm estado em contínuo declínio", refere a organização, dando os exemplos da quebra nas empresas e no emprego, de 4% ao ano, e da estagnação das receitas dos pescadores.

"As pescas na UE têm potencial para serem muito produtivas. A oferta estável de peixe, a longo prazo, é possível, mas apenas se os recursos pesqueiros forem geridos sustentavelmente", defende o diretor da WWF Europa, Tony Long, citado no comunicado.

A organização internacional de conservação da natureza está a desenvolver uma campanha "online" junto dos membros do Parlamento Europeu do Comité de Pescas, que desempenham um papel chave na decisão sobre o futuro do setor, numa votação da reforma da Política Comum de Pescas, marcada para 28 de novembro.

Assegurar que as populações de peixe estejam acima de níveis que aguentem um rendimento máximo sustentável e estabelecer planos de pesca plurianuais até 2015, parar a prática de desperdício de peixe indesejado e limitar o pagamento de subsídios a práticas sustentáveis são alguns dos pontos defendidos pela WWF.


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