Parlamento regional dos Açores rejeita projetos de resolução do BE sobre a SATA

O parlamento dos Açores rejeitou dois projetos de resolução, apresentados pelo BE, sobre a manutenção no grupo SATA da nova empresa de assistência em escala e um acordo estratégico entre as companhias aéreas SATA e TAP



O projeto de resolução que propunha a manutenção no grupo SATA da nova empresa de assistência em escala ('handling') foi rejeitado com votos contra de PSD, Chega, CDS-PP, PPM e IL, votos a favor de BE e PAN e abstenção do PS.

O segundo, relativo ao acordo estratégico entre as companhias aéreas SATA e TAP, foi chumbado com votos contra de PSD, CDS-PP, PPM, IL e PAN, votos a favor de Chega e BE e abstenção do PS.

Na apresentação das propostas, o deputado do BE António Lima referiu que o grupo SATA é constituído por empresas estratégicas para a região e é “o instrumento mais importante para a mobilidade dos açorianos”.

Contudo, sublinhou, apesar de o executivo regional de coligação PSD/CDS-PP/PPM “prometeu salvar a SATA”, hoje está “cada vez mais claro que o que tem sido feito é desmantelar” a empresa.

O Governo Regional, disse António Lima, “está a preparar a privatização total da Sata Handling, a nova empresa do grupo para onde transitaram cerca de 640 trabalhadores”, mas a decisão é “um enorme erro”.

“Separar e privatizar esta função significa que o grupo SATA passará a depender totalmente de uma empresa privada que terá, na prática, um monopólio num mercado de pequena dimensão como o nosso”, alegou.

Quanto ao futuro da Azores Airlines/SATA Internacional, em processo de privatização, o deputado do BE lamentou que o executivo insista “numa solução que já falhou três vezes”, considerando que privatizar a empresa em seis meses é “uma corrida contra o tempo que só pode correr mal”.

Assim, defendeu, deveria existir um acordo estratégico entre a SATA e a TAP, que permitisse “reforçar a conectividade dos Açores, criar ganhos de escala e eficiência, aumentar a resiliência operacional e, ao mesmo tempo, preservar a autonomia regional e a missão” da companhia açoriana.

Pelo PS, Carlos Silva concordou que o Governo Regional devia ter tentado “manter o controlo do ‘handling’, tendo em conta a importância que tem” para a região.

Quanto à proposta de acordo estratégico entre as companhias aéreas SATA e TAP, o deputado socialista rejeitou a solução, argumentando que as empresas estão em processo de privatização.

Pelo PSD, Paulo Simões lembrou que não foi o atual executivo de coligação que “inventou a privatização do ‘handling’”, mas foi “empurrado” para tal “pela má governação que o PS fez” da SATA.

Por outro lado, acrescentou, atendendo aos dois processos de privatização que estão em curso, “nem a TAP pode negociar com a SATA, nem a SATA pode negociar com a TAP”.

Por sua vez, o parlamentar Francisco Lima (Chega) contrapôs que a privatização do ‘handling’ evitará a sua insolvência por incumprimento daquilo que é exigido pela União Europeia.

“Se existe uma posição da União Europeia para a privatização da empresa, o que é que o senhor pretende fazer”, questionou também João Mendonça (PPM), dirigindo-se ao deputado do BE.

Já Nuno Barata (IL) disse ter “imensas dúvidas” sobre como o Governo dos Açores quer “vender” a Azores Airlines, antevendo que se chegará ao final de 2026 e não se irá “ter nem TAP, nem Azores Airlines vendidas e os açorianos e os portugueses vão, mais uma vez, assumir os prejuízos”.

“Não concordamos que haja o ajuntamento de duas companhias completamente falidas”, acrescentou o parlamentar Pedro Neves (PAN) sobre a proposta de parceria entre SATA e TAP.

Pedro Pinto (CDS-PP) considerou as iniciativas do BE como “um absurdo político”, perguntando a António Lima onde é que as propostas se enquadram na decisão de privatização das duas empresas do grupo SATA.

Por parte do Governo Regional, o secretário das Finanças, Duarte Freitas, esclareceu que as operações em curso inserem-se no plano de restruturação assinado com a Comissão Europeia e garantiu que o serviço de ‘handling’ “será sempre prestado por uma SATA pública, por uma SATA privada, ou por quem vencer o concurso das obrigações do serviço público (OSP)”.

Quanto à junção da TAP e da SATA, Duarte Freitas lembrou que “há acordos estratégicos” entre os dois grupos de aviação, mas que na fase em que está o processo de restruturação da SATA, outros tipos de acordos societários “são totalmente inviáveis”.

Na sessão plenária de hoje o parlamento dos Açores aprovou ainda, por unanimidade, um projeto de decreto legislativo que cria mecanismos de promoção e utilização obrigatória de sal iodado na administração pública regional, apresentado por PSD, CDS-PP e PPM.


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