Em 2007, e depois de "uma mão cheia" de anos a bater às mais variadas portas à procura de emprego, José Lima criou uma "minigráfica digital", onde edita os livros que ele próprio escreve ou outras obras assinadas por autores da região de Viana do Castelo, onde vive.
"No caso dos meus livros, sou eu que faço tudo. Escrevo, colo, coso, meto as capas e ainda os vendo, pela Internet", diz à Lusa.
Em Setembro, por ocasião das Festas do Concelho de Ponte de Lima, José Lima vai editar o seu quarto livro, uma versão ficcionada da viagem de 800 quilómetros que protagonizou, em 2007, entre Viana do Castelo e Faro, ao volante de uma cadeira de rodas puxada a pedais manuais.
O seu primeiro livro é uma narrativa, também ficcionada, da sua vida, desde o momento em que meteu na cabeça que iria trabalhar para Angola, onde acabaria por sofrer o acidente que o deixou paraplégico, quando foi esmagado por um elevador que estava a reparar no Ministério das Finanças.
José Lima escreveu, depois, um romance sobre o Amazonas profundo, onde costumava passar férias antes desse acidente, enquanto que o terceiro livro é uma descrição da viagem de 2007, escrita em co-autoria com um repórter da RTP.
"Para o ano, vou escrever um outro livro, sobre a problemática do sexo na deficiência", revelou.
Garante que está a vender uma média de oito a dez livros por dia, o que "vai sempre dando para viver".
Apesar de licenciado em Electrónica Industrial, José Lima diz que não consegue emprego, porque todas as portas se lhe fecham automaticamente, quando se apresenta numa qualquer empresa em cadeira de rodas.
"Enquanto que o contacto é meramente telefónico, as coisas parecem bem encaminhadas. Mas quando apareço na empresa em cadeira de rodas, as coisas mudam radicalmente de figura. Às vezes, parece que estão a ver um fantasma", refere.
Mesmo com uma incapacidade física de 80 por cento, José Lima diz que não recebe qualquer pensão da Segurança Social, já que o organismo alega que ele não está incapacitado para o trabalho.
"E é verdade. Não estou incapacitado e o que eu mais quero é trabalhar. Estou inscrito no Centro de Emprego e manifesto-me disponível para cerca de uma dezena de áreas de trabalho diferentes. O problema é que ninguém me dá trabalho", queixa-se.
José Lima é um dos dois paqrticipantes da primeira edição da Volta a Portugal em Cadeira de Rodas, que sexta-feira parte de Valença rumo a Faro, onde espera chegar a 15 de Agosto, após cumprir um percurso de 900 quilómetros.
Sociedade
Paraplégico cria minigráfica para sobreviver
José Lima,53 anos, licenciado em Electrónica Industrial, ficou paraplégico em 1997 num acidente que só não lhe cortou as pernas para o mercado de trabalho porque tem uma enorme força de vontade.
Autor: Lusa/AO online
