Papa Bento XVI adia decreto para canonização de Pio XII para reflexão


 

Lusa / Ao online   Internacional   18 de Out de 2008, 20:00

O papa Bento XVI ainda não assinou o decreto sobre as "virtudes heróicas" de Pio XII, etapa indispensável para beatificar esse seu antecessor, que é acusado de passividade face à Shoah, "porque deseja boas relações com os judeus", declarou hoje um religioso, o padre Peter Gumpel.
    Peter Gumpel, que é o "postolador" (defensor) da causa de Pio XII no processo de beatificação, considerou em entrevista à agência ANSA que o procedimento para a canonização está concluído e que apenas falta a assinatura do Sumo Pontífice.

    Para ser proclamado santo, uma vez assinado por Bento XVI o decreto sobre as suas "virtudes heróicas", ainda terá que ser atribuído a Pio XII um milagre.

    Bento XVI defendeu, há duas semanas atrás, a memória de Pio XII numa missa evocativa do 50º aniversário da sua morte e desejou para breve a sua beatificação, mas lamentou que o balanço sobre a vida e obra do antigo papa continue a ser ofuscado por um debate "nem sempre sereno".

    "O papa ainda não assinou o decreto, por julgar oportuno mais algum tempo de reflexão", comentou na altura o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

    As oposições à beatificação do papa Pacelli circulam não apenas entre representantes da comunidade judaica, mas também na Igreja Católica, onde muitos preferem o seu sucessor imediato, João XXIII.

    Segundo o padre Peter Gumpel, Bento XVI "deseja ir a Israel o mais depressa possível", mas não o fará enquanto não for retirada a legenda aposta à fotografia de Pio XII no Museu da História da Shoah de Yad Vashem, em Jerusalém, que constitui "uma evidente falsificação da História", segundo a mesma fonte.

    Esta legenda acusa o papa Pio XII de não ter levantado a sua voz contra a Shoah.

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