Países europeus divididos entre apoio total e condenação dos ataques

Os países europeus reagiram de formas diferentes à ofensiva militar dos EUA e Israel contra o Irão, com alguns a considerá-la ilegal segundo o direito internacional e outros a justificarem-na como necessária face à ameaça nuclear iraniana



As posições vão desde o pleno apoio da Alemanha e da Itália à condenação da Espanha e à recusa em permitir que as bases norte-americanas no país sejam usadas para o ataque, passando pela postura mais ambígua do Reino Unido, a atrair críticas internas e internacionais.

Apesar destas posições díspares, a UE tentou projetar uma posição comum, no final da reunião, no domingo, dos 27 ministros dos Negócios Estrangeiros, a pedir respeito pelo direito internacional e evitar uma escalada conflito na região.

Todos os países europeus, mesmo os que rejeitaram o ataque, condenaram o regime iraniano e, depois de uma base britânica em Chipre ter sido atingida, alguns chegaram mesmo a alertar para a possibilidade de tomar medidas caso os interesses europeus sejam afetados.

Alemanha: apoio total ao ataque

A Alemanha, que alberga em Ramstein a maior base militar dos EUA fora do seu território, é um dos países que mais fortemente apoia a intervenção norte-americana e israelita contra o Irão.

No domingo, o chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu a intervenção e afirmou que o Governo alemão “partilha o alívio de muitos iranianos pelo fim do regime dos ‘ayatollah’” e tem o mesmo interesse dos EUA e de Israel em acabar com “o terrorismo” de Teerão.

Consequentemente, a base de Ramstein foi o destino, na segunda-feira, dos aviões de transporte militar KC-135 dos EUA que partiram da base aérea de Morón de la Frontera (Sevilha) com destino às instalações da Força Aérea dos EUA na Alemanha.

Portugal: Lajes usadas pelos EUA 

O Governo português pediu “máxima contenção” a todas as partes para evitar uma escalada do conflito e solicitou o fim imediato dos “ataques injustificados” do Irão contra países da região.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse que Portugal concedeu uma “autorização condicional” aos EUA para uso da base das Lajes, mas apenas depois de Washington ter informado Lisboa de que tinha realizado uma intervenção militar no Médio Oriente, e garantiu que nenhum meio militar envolvido na operação partiu dos Açores.

Itália: apoia mas não participa 

A Itália justificou a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irão como uma medida necessária para neutralizar a ameaça nuclear e de mísseis, enquadrando este apoio como um suporte aos protestos civis de jovens e mulheres contra o regime de Teerão.

Apesar deste alinhamento político, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, afirmou que Roma “não está em guerra com ninguém”, uma vez que “a Constituição o impede”, e realçou que o objetivo do Governo é proteger os 70 mil italianos na região.

França e Grécia: defesa de Chipre

A França, que conta com quase 5.000 militares destacados na Jordânia, no Líbano, no Iraque, na Síria e nos Emirados Árabes Unidos, foi o país europeu que anunciou mais rapidamente o reforço da presença militar na região para defender os interesses dos cidadãos franceses.

Quando o Irão atacou uma base britânica em Chipre, a França decidiu enviar para a ilha uma fragata e sistemas antimíssil, que se vão juntar aos quatro caças e à fragata enviados pela Grécia.

O Governo do Presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou a disponibilidade para defender, além de interesses próprios, os dos parceiros do país no Médio Oriente, sem objetivos ofensivos e “de forma proporcional”.

Reino Unido: críticas internas e externas face a posição pouco definida 

O Reino Unido foi acusado de ter uma postura ambígua já que recusou apoiar os ataques dos EUA e de Israel no sábado, apesar do pedido nesse sentido do Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.

No entanto, no dia seguinte, autorizou a utilização de algumas bases por aviões norte-americanos “para fins defensivos”.

Starmer escusou-se a comentar os ataques, e a posição inicial em relação às bases resultou em críticas de Trump.

O Reino Unido acabou por assinar, juntamente com França e Alemanha, uma declaração a advertir o Irão para as consequências de prejudicar os interesses destes países europeus na região.

Espanha: condena o ataque e nega uso de bases aos EUA

O Governo espanhol posicionou-se claramente contra a guerra no Irão e recusou permitir que os EUA utilizassem as bases em Espanha para as atividades militares no golfo.

Como resultado, os aviões-tanque norte-americanos retiraram das bases de Morón (Sevilha) e de Rota (Cádis).

O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, considerou que a violência “só gera mais violência” e pediu uma “interrupção imediata” desta espiral de conflito e um regresso à diplomacia e ao diálogo, condenando tanto os ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, como os ataques “ilegais e indiscriminados” realizados por Teerão contra países da região.

Bélgica: oposição menos categórica

Menos categórica do que Espanha, a Bélgica também manifestou oposição ao ataque por o considerar uma violação do direito internacional e realçou que a força militar deve ser sempre o último recurso, mas solidarizou-se com os aliados contra o regime iraniano.








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